Deixando claro que é “ministro das Finanças” de Portugal, Mário Centeno afirma, em entrevista ao Expresso, que “é evidente que não fecho a porta ao Eurogrupo”. Algo que vê com “a maior das naturalidades, no contexto de que há todo um trabalho feito em Portugal que é reconhecido lá fora”. Contudo, sublinha, “não está neste momento na mesa ser presidente do Eurogrupo”, nem a sua saída do Governo, “ainda que essa decisão não esteja nas minhas mãos”.

O atual ministro das Finanças diz ainda que “não gostaria” de criar um tabu em torno desta matéria que, segundo ele, “faz-nos gastar energias com matérias que, sendo relevantes, não são centrais na intervenção portuguesa, neste momento, na Europa”. E sobre o elogio que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, lhe dirigiu, comparando-o a Cristiano Ronaldo, Centeno respondeu dizendo que “sentido de humor à parte, é também uma leitura do bom momento” que a economia portuguesa atravessa.

Lembre-se que no início desta semana, em entrevista à CNBC, o ministro das Finanças, menos direto na resposta, já tinha dado a entender que não fechava a porta a uma eventual ida para Bruxelas. Questionado sobre se preferia a cozinha belga à cozinha portuguesa, caso fosse para a capital belga, respondeu que “a cozinha em Lisboa é muito melhor, mas não teria de abdicar dela de qualquer maneira”.

Mário Centeno não exclui presidência do Eurogrupo

De Bruxelas para Portugal, e questionado sobre os eventuais méritos do governo anterior na trajetória assumida pelas contas públicas, Centeno garantiu que não lhe “custa nada reconhecer mérito a ninguém”, “mas o país não teria saído do Procedimento por Défice Excessivo se não tivesse havido este ganho de credibilidade e se a confiança na economia portuguesa não tivesse tido uma transformação muito significativa, quer a nível interno quer externo, durante 2016”. O governante sublinha que no ano passado foi feito “um ajustamento estrutural significativo”: “Se tirarmos as medidas temporárias, foi uma redução de quase 1/3 do défice”.

Sobre orçamento do Estado para 2018, Mário Centeno levanta um pouco do véu, dizendo que várias medidas na área da Saúde, Educação e Segurança Social “vão fazer parte do próximo Orçamento” e que “não estará seguramente em cima da mesa uma revisão de impostos que perturbe a estabilidade fiscal”, embora “a revisão de escalões” seja uma “possibilidade muito realista”. Centeno remata dizendo que a negociação com os dois partidos mais à esquerda do PS “está a ser muito mais informada, como é natural, com muitos mais dados, com um horizonte bastante maior” do que no passado. E que “há margem negocial” para avançar com algumas propostas do BE e do PCP no OE para 2018.