Era um miúdo de 22 anos. Grande, mesmo grande, com a alcunha de Girafa. Vinha do Cruzeiro e, à quarta jornada da Primeira Liga 2003/04, estreou-se pelo Benfica no Jamor (estádio “emprestado” enquanto a nova Luz era finalizada) contra o Belenenses, num empate a três. Até marcou um golo. Fez dupla no eixo central da defesa com Argel, que terminou a carreira em 2007 ao serviço do Hangzhou Greentown e já treinou inúmeras equipas no Brasil. Luisão continua a jogar e hoje entrou (de novo) na história do clube.

Ao conquistar mais uma Taça de Portugal, o central igualou os 19 troféus ganhos por Nené de águia ao peito: seis Campeonatos, três Taças de Portugal, sete Taças da Liga e três Supertaças. Já Nené, entre 1968 e 1986, conquistou dez Campeonatos, sete Taças de Portugal e duas Supertaças. A ultrapassagem, essa, pode ser em agosto, na Supertaça. E o adversário voltará a ser o V. Guimarães, tal como aconteceu hoje no Jamor.

O feito tem um especial peso na presente temporada: como escrevemos em fevereiro, “uns davam-no como excedentário, face à dupla Jardel-Lindelöf, que assegurou o tricampeonato na última época; outros quase lhe compravam o bilhete de ida sem volta para acabar a carreira no Brasil, na segunda divisão de Inglaterra (Wolverhampton) ou num desses campeonatos que não olham a gastos como a China. O Xerife aguentou, manteve as juras de amor ao clube nas redes sociais e recuperou o seu posto”. E foi nessa altura que se juntou a Nené, Veloso e Coluna como únicos jogadores com mais de 500 jogos com a camisola do Benfica.

A título de curiosidade, o pódio dos jogadores fecha com o eterno capitão Coluna, com 18 (dez Campeonatos, seis Taças e duas Taças dos Campeões Europeus). Seguem-se Eusébio (17), Cavém (15), Ângelo (14), José Águas (14), Santana (12) e… Salvio (12), que já ganhou quatro Campeonatos, duas Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e duas Supertaças desde que chegou ao Benfica, em 2010/11, vindo do Atl. Madrid (onde jogou ainda em 2011/12).