A British Airways arrisca-se a pagar pelo menos 100 milhões de libras (cerca de 114 milhões de euros) em indemnizações aos milhares de clientes lesados este fim-de-semana, avança o britânico The Guardian, depois da falha informática que afetou o sistema da companhia aérea.

O problema que levou à suspensão dos voos começou no sábado, estendeu-se pelo fim-de-semana, e entra no terceiro dia de complicações. A falha informática que levou ao caos nos aeroportos de Gatwick e Heathrow deixou vários passageiros em terra e levou a atrasos e cancelamentos de vários voos. Contas feitas, foram mais de mil voos afetados. De acordo com a empresa, a falha deveu-se a um problema de “fornecimento de energia” e a companhia afasta a possibilidade de se tratar de um ataque informático.

Esta manhã o caos está mais controlado, com os aeroportos de Gatwick a esperar operar normalmente, tal como anunciado num tweet da empresa. Ainda assim, a British Airways aconselha à confirmação dos voos antes de os passageiros se deslocarem aos aeroportos, depois de ontem ainda se terem verificado alguns atrasos.

Já por Heathrow, a situação é diferente. Neste aeroporto mantêm-se algumas dificuldades que aconselham a uma verificação prévia dos voos. Também em Heathrow, foram destacados funcionários operacionais para assistir os passageiros nos aeroportos. No dia de ontem [domingo] cerca de 200 voos ainda estavam a ser afetados por esta falha informática. A companhia anunciou atrasos e cancelamentos de voos com partida do aeroporto de Heathrow pelo terceiro dia consecutivo depois de uma avaria informática.

Às 10h45 locais (mesma hora em Lisboa), 13 voos para destinos europeus foram cancelados e cerca de 20 foram atrasados, de acordo com a AFP. No domingo tinham sido anulados cerca de 60 voos com partida deste aeroporto.

A British, explica na conta oficial do Twitter que espera operar normalmente em Gatwick, esta segunda-feira, e que em Heathrow estão esperados voos de longo curso.

Vários passageiros passaram as últimas noites nos aeroportos. Relatos mostram que foram vários aqueles que dormiram em esteiras e pequenos colchões, espalhados pelos terminais. A companhia tratou ainda de oferecer água e pequenos lanches aos clientes.

Esta falha levou a que vários passageiros procurassem uma alternativa aos aeroportos, o que levou a que a estação de comboios de Kings Cross, em Londres, tivesse sido inundada por centenas de clientes. No início do fim de semana, o presidente-executivo da empresa, Alex Cruz, explicou em vídeo no YouTube, as implicações que esta falha estava a ter nos sistemas da British Airways e pediu desculpa e compreensão pelos constrangimentos causados.

Mick Rix, do sindicato GMB, atribuiu as culpas à “ganância” da empresa. Depois dos lucros registados o ano passado, Rix não vê razões para o despedimento de vários trabalhadores e para os cortes levados a cabo pela empresa, o que podia “ter evitado” vários problemas como estes deste fim-de-semana.

Esta falha pode ter repercussões nos próximos dias. A companhia pode, até, ter de vir a pagar milhões de indemnizações aos clientes. Conforme as leis europeias, por atrasos com mais de três horas cuja responsabilidade é da empresa, as companhias devem compensar o cliente lesado. Todos, aliás, teriam direito a pelo menos alojamento e refeições, enquanto esperavam pelos voos atrasados ou cancelados.

As contas já apontam para os mais de 100 milhões de libras de compensação, além de outras perdas que a empresa está sujeita com estas implicações. A British Airways também se comprometeu a resolver as trocas de bagagens através de serviços de correio gratuitos.

Pela British Airways passam, diariamente, cerca de 120 mil passageiros. O ano passado a companhia já tinha perdido cerca de 100 milhões de libras, depois de uma falha de equipamento que levou a alguns atrasos.