A responsável pelas negociações para a formação de uma coligação governamental na Holanda demitiu-se esta segunda-feira, depois de falharem duas tentativas para formar governo após as eleições de 15 de março, que ditaram a vitória do partido de centro-direita liderado pelo primeiro-ministro Mark Rutte.

Edith Schippers, ainda ministra da Saúde, anunciou a decisão esta segunda-feira, explicando que todas as propostas feitas aos partidos para a formação de um governo com maioria no Parlamento holandês encontraram a oposição de pelo menos um dos envolvidos nas negociações.

“Nesta altura, não há hipótese de ser formado um governo que possa contar com uma maioria tanto no parlamento como no senado”, disse a responsável, citada pela edição online da revista Politico.

Quando a 15 de março o VVD de Mark Rutte venceu as eleições, a sua vitória foi vista especialmente como uma derrota da extrema-direita, representada pelo Partido da Liberdade de Geert Wilders.

No entanto, a vitória que muitos consideraram clara e um sinal para a Europa, não chegou para uma maioria no parlamento, nem perto disso. Para que o novo governo do VVD venha a conseguir uma maioria parlamentar precisa do apoio de pelo menos mais três partidos, até porque o VVD só conseguiu eleger 33 deputados e, para ter maioria, precisa de pelo menos 76.

A até agora responsável pelas negociações sugeriu ao Parlamento que Herman Tjeenk Willink, um histórico do Partido Trabalhista (um dos principais derrotados destas eleições) assumisse a liderança das negociações. Tjeen Willink já liderou as negociações para a formação de uma coligação na Holanda em 1994 e em 2010, estas últimas já com Mark Rutte como o vencedor das eleições.

Enquanto não houver governo, Mark Rutte continua a liderar um governo que tem Jeroen Dijsselbloem como ministro das Finanças, o que permite ao trabalhista continuar a liderar o Eurogrupo durante mais algum tempo. O seu mandato como líder do grupo informal acaba em janeiro do próximo ano, mas se deixar de ser ministro das Finanças tem de abandonar a presidência do Eurogrupo mais cedo.