UNICEF

Pelo menos 200 crianças refugiadas congolesas chegaram a Angola sozinhas

A UNICEF está a prestar assistência a 9.000 crianças refugiadas da República Democrática do Congo, 200 das quais chegaram sozinhas a território angolano e a necessitar de ajuda urgente.

YAHYA ARHAB/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a prestar assistência a 9.000 crianças refugiadas da República Democrática do Congo, 200 das quais chegaram sozinhas a território angolano e a necessitar de ajuda urgente.

Um comunicado da UNICEF, enviado esta segunda-feira à agência Lusa, em Luanda, refere que as 9.000 crianças estão distribuídas por dois centros de acolhimento temporários no Dundo, capital da província angolana da Lunda Norte.

Segundo aquela organização das Nações Unidas, até ao momento já chegaram 25.000 refugiados provenientes da província congolesa de Kasai, fugindo à violência naquela região.

Com o apoio das autoridades provinciais e outros parceiros, aquela organização refere que tem prestado ajuda a essas crianças e respetivas famílias, que estão a chegar aos centros depois de dias ou semanas a viajar a pé, feridas por balas ou catanas, e a testemunharem “ataques violentos”.

As ações da organização estão viradas para a garantia de serviços de saúde, água e saneamento, a vacinação das crianças contra o sarampo, medida “crucial para reduzir o risco de surtos”.

Além destas ações, a UNICEF está a treinar assistentes sociais para proceder ao registo de 200 crianças, que se encontram sem a companhia dos seus familiares, fundamental para a sua segurança e proteção contra o tráfico, abuso e exploração infantil.

“Por outro lado, através do registo de crianças, há uma maior probabilidade de conseguir reuni-las com as suas famílias”, refere a nota.

Para o representante do UNICEF em Angola, Abubacar Sultan, “reunir estas crianças com as respetivas famílias é uma prioridade”.

“O UNICEF e os parceiros identificaram um local temporário para que as crianças desacompanhadas fiquem num ambiente acolhedor e protetor enquanto se fazem esforços para encontrar as suas famílias biológicas. O UNICEF mantém o compromisso de assegurar que os direitos das crianças são cumpridos e protegidos em quaisquer circunstâncias”, indica o documento.

Como ajuda adicional ao apelo feito pelo Governo angolano, a organização tem fornecido às autoridades da Lunda Norte materiais para apoiar as famílias acolhidas nos dois centros.

Neste apoio estão incluídos materiais de tratamento e purificação de água, ‘kits’ de reintegração familiar, educacionais e de recreação, medicamentos contra a malária e doenças diarreicas, tendas, cobertores, bem como cartazes e folhetos de prevenção de doenças.

O fornecimento diário de água potável nos campos, a instalação de tanques e o teste da qualidade da água, para a prevenção de doenças transmitidas por meio desta são outras ajudas prestadas.

A agência das Nações Unidas treinou igualmente voluntários para a construção de 50 latrinas separadas por sexo, para a proteção e segurança sobretudo das raparigas e mulheres, igualmente para a prevenção da defecação ao ar livre, potenciador causador de surtos como a cólera e outras doenças epidémicas.

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