Posicionado entre o popular Fabia e o não menos incontornável Octavia, o Skoda Rapid continua sendo, entre muitas outras coisas, um dos modelos mais difíceis de posicionar na actual gama da marca checa. Embora apontado à partida como um candidato ao segmento B, devido à partilha da plataforma com o Fabia, apresenta igualmente argumentos que levam o fabricante a elevá-lo para o segmento C. Tornando-se, a partir daí, rival em potência de produtos como, por exemplo, o Ford Focus ou o Hyundai i30 – luta para a qual, recorde-se, a Skoda também já possui o Octavia.

Valendo hoje em dia qualquer coisa como 10% das vendas da Skoda em Portugal, é neste permanente conflito de personalidades que o Rapid, espécie de segmento “C menos” na oferta do construtor de Mladá Boleslav, acaba de receber a sua mais recente actualização. E que, embora com chegada a Portugal agendada apenas Junho próximo, anuncia desde já e conforme o Observador teve oportunidade de comprovar, num primeiro contacto que decorreu em terras germânicas, a manutenção desta duplicidade: permanecem as ligações ao passado (plataforma, suspensões, travagem etc…) que o poderiam posicionar entre os utilitários, reforçam-se as qualidades que o colocam cada vez mais perto dos melhores do segmento C.

OK, mas então o que é que distingue o novo Rapid?

Desde logo, o “lavar de cara” que a marca checa decidiu promover na secção frontal, que ajuda a transmitir a ideia de que o carro está mais largo e baixo. Mas não está. A sensação é fruto de um pára-choques redesenhado na parte inferior e com novas luzes de nevoeiro, luzes diurnas igualmente refeitas e agora com tecnologia LED, e novas ópticas bi-xénon. A que se juntam, quando olhado de perfil, cinco novos tipos de jantes, a par de novos farolins escurecidos na traseira e com o emblemático desenho de luz tipo “C”.

No caso do hatchback, a versão mais popular entre nós (sim, aquele que todos acham que é uma carrinha, mas que, garante a Skoda, é na verdade um hatchback), conhecido como Rapid Spaceback, também o óculo traseiro sofre alterações, prolongando-se até à tranca do portão e anulando assim a faixa preta que, embora opcional, era utilizada para dar exactamente a mesma sensação!

Já no interior do habitáculo, onde continua a destacar-se a opção por plásticos rijos mais aceitáveis em propostas do segmento B, ainda que neste caso conjugados com uma qualidade de construção de bom nível, novas são as aplicações decorativas na parte frontal do tablier e nas portas, as pegas interiores, além do painel de instrumentos e do sistema de ar condicionado, ambos redesenhados.

Mesmo com estes dois últimos aspectos a mostrarem-se funcionais e ergonomicamente bem conseguidos, continuamos a preferir destacar a boa e correcta posição de condução, ainda melhor quando associada aos bancos desportivos com encostos de cabeça integrados, que fazem parte do Dynamic Package.

E os restantes passageiros, também vão gostar?

Face àquilo que pudemos constatar, não temos dúvidas que sim! Pois, se é verdade que a habitabilidade (atrás com muito espaço para pernas e largura suficiente para três ocupantes) e a impressionante capacidade de carga na bagageira (550 litros no caso da Limousine, 415 litros no Spaceback), continuam entre os melhores argumentos para colocar este Rapid na luta por um lugar entre as propostas do segmento C, não é menos verdade que soluções “Simply Clever” (um total de 20, segundo a marca) também cativam. Como é o caso das duas entradas USB para os lugares traseiros, o recipiente amovível para o lixo ou, até mesmo, o guarda-chuva com lugar próprio por baixo do assento do passageiro da frente. Houve igualmente um reforço no equipamento, resultado da inclusão, entre outros, dos três novos sistemas de infoentretenimento – Blues, Swing e Amundsen – já disponíveis noutros modelos da marca.

E se mais-valias como o ecrã táctil de 6,5” com sistema de som Skoda Surround System, Bluetooth, Voice Control e Media Command estão destinadas apenas ao sistema mais completo Amundsen, outras tecnologias podem opcionalmente ser integradas. É o caso do novo pacote SmartLink+, sinónimo das funcionalidades MirrorLink, Apple CarPlay, AndroidAuto e Appgateway, ou da novidade (no modelo) Skoda Connect – basicamente, um pacote tecnológico online que, embora implicando um custo anual de 170€, contempla o Infotainment Online, forma de obter no carro informações sobre tráfego, preços do combustível, locais de estacionamento, pontos de interesse, feed de notícias e meteorologia, e o Care Connect, garantia de serviços como a chamada de emergência, notificação automática, acesso remoto e relatório sobre o estado do veículo.

Instalada a aplicação Skoda Connect no telemóvel, praticamente todos os dados relativos ao veículo passam a poder ser consultados, de forma remota, também no smartphone. Ao mesmo tempo que o condutor passa a, por exemplo, poder inserir a rota do dia seguinte no sistema de navegação do carro, comodamente sentado a partir do sofá lá de casa.

Igualmente novo é o sistema de assistente de luzes, que adapta a iluminação do carro às necessidades exteriores, evitando automaticamente o encandeamento de outros condutores, juntando-se assim a tecnologias de ajuda à condução como a travagem de emergência com capacidade para detectar peões, o alerta de cansaço da parte do condutor, a travagem multicolisão, a função de iluminação da esquina nas luzes de nevoeiro e o sistema de ajuda ao arranque em planos inclinados.

O diesel mantém-se, certo?

Certo! Ainda que a novidade esteja não nos motores a gasóleo – que não sofreram qualquer alteração, continuando a estar disponíveis o 1.4 TDI de 90 cv e do 1.6 TDI de 116 cv, ambos acoplados a uma caixa manual de cinco velocidades –, mas antes na oferta a gasolina. Traduzida, basicamente, em duas variantes do mesmo tricilíndrico que equipa, por exemplo, o Volkswagen Golf, e que no Rapid surge disponível em versões com 95 e 110 cv de potência. Embora, no primeiro caso, conjugado de fábrica com caixa manual de cinco velocidades e podendo acoplar uma opcional caixa automática DSG de sete relações, ao passo que, no segundo, limitado apenas a uma transmissão manual de seis velocidades.

De resto, neste primeiro contacto em solo alemão e embora conhecendo a preferência dos clientes portugueses pelas motorizações a gasóleo, foi nos motores a gasolina que a nossa atenção mais se centrou. Não só pelo factor novidade, mas também pelo conhecimento já adquirido nas boas experiências com estes motores, em outras marcas do grupo.

Cumpridas algumas voltas aos traçados pré-definidos, maioritariamente por estradas secundárias e de montanha, com algumas pequenas localidades pelo meio, e a verdade é que voltámos a ficar impressionados com a agilidade da versão de 95 cv, mesmo se perdendo em capacidade de aceleração para 110 cv. Notámos, contudo, que o nível de insonorização e até de anulação das vibrações fica aqui uns pontos abaixo do que é possível encontrar no Octavia.

Antes de darmos por finda a nossa experiência ao volante do Rapid, deixámos as versões a gasolina e concentrámo-nos naquelas que preferem o gasóleo, mais especificamente no 1.4 TDI de 90 cv, escolha maioritária dos clientes que, em Portugal, preferem ver montado na versão Spaceback. As vibrações e ruído sentem-se aqui de forma ainda mais notória – como é habitual encontrar em utilitários do segmento B –, sendo por vezes transmitidos à própria direcção. “Apego excessivo ao passado?”, apeteceu-nos perguntar…

Quer isto dizer que a condução não convence?

Nada disso; simplesmente, continua igual! Com o Rapid a pautar-se por um comportamento leve, ligeiro e ágil, mas também muito semelhante nas sensações às transmitidas por alguns modelos do segmento B, como é o caso do “irmão” Fabia.

Também não encontrámos o mesmo nível de conforto de alguns concorrentes, especialmente em pisos mais irregulares ou degradados, embora a culpa deva ser assacada à escolha de jantes e pneus feita pelos responsáveis da marca, para os carros presentes no evento, os quais surgiam maioritariamente não só com jantes de 17”, mas também com pneus de perfil mais baixo, o que se beneficia o aspecto, obviamente não favorece o conforto.

Com uma direcção leve e uma boa dose de estabilidade, torna-se fácil assumir andamentos mais rápidos, sem que o Rapid se queixe em demasia ou reaja de forma inesperada. Mesmo, como é o caso, não sendo esse o seu principal fito, mas antes as viagens em família. Para as quais é, efectivamente, mais importante o espaço e o conforto.

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E será mais caro?

Ora aí está. Eis uma pergunta a que, pelo menos para já, não é possível responder! Porque, segundo o importador, os preços para o mercado português estão ainda a ser negociados com a marca checa, existindo por isso apenas a expectativa de que será possível colocar o novo Rapid e Rapid Spaceback a valores ligeiramente acima dos praticados pela actual geração. Recorde-se, por isso, que versão mais procurada, o Spaceback, está hoje disponível com o motor 1.2 TSI de 90 cv a partir de 16.882€ e de 17.333€ para a Limousine, enquanto o 1.4 TDI de 90 cv, que se manterá como o motor diesel de entrada após este restyling, é hoje proposto desde 19.528€ (21.697€).

Igualmente já definido está que o modelo manterá os mesmos três níveis de equipamento – Active, Ambition e Style.