O governo da Catalunha deverá avançar para o processo de declaração unilateral de um referendo sobre a independência depois do o governo espanhol ter recusado taxativamente a negociação de um referendo na comunidade autónoma, escreve a imprensa espanhola. Segundo o diário El Mundo, esta via unilateral é o novo cenário mais provável para o governo catalão, presidido por Carles Puigdemont, mas trata-se ainda apenas de “um intercâmbio de opiniões” e não de uma decisão concreta.

Para já, o governo catalão ficou de decidir, nos próximos 15 dias, qual a pergunta que será colocada no referendo, estando previsto para breve o anúncio da decisão, bem como o anúncio da data em que deverá acontecer o referendo. A realização do referendo é, aliás, a principal prioridade das autoridades da Catalunha, explicou o porta-voz do governo regional, Neus Munté, à saída da reunião desta segunda-feira no Palau de la Generalitat, em que as diversas forças políticas representadas na Catalunha analisaram a situação atual da região face à nega de Madrid relativa à negociação do referendo.

A reunião foi, de acordo o jornal El País, pouco conclusiva. “Não chegámos a nenhuma conclusão e não assumimos nenhum acordo. O presidente da Generalitat e o governo querem escutar as formações políticas”, detalhou o porta-voz do governo catalão, citado pelo jornal. Para Neus Munté, as autoridades catalãs não fecham a porta à negociação com o governo central, mas lamentam que Madrid não tenha oferecido propostas concretas à Catalunha. “Não somos nós que nos fechamos a um acordo”, acrescentou o porta-voz do governo regional.

Se não houver referendo, a Catalunha tem planos para declarar a independência

Ouvida pelo El País, a deputada Anna Gabriel, da Candidatura de Unidad Popular (CUP), um dos partidos presentes na reunião, explicou que “a via do diálogo fechou-se, permanecendo aberta apenas a da ameaça”. No entanto, a deputada sublinhou que é importante que estas reuniões possam levar a mais conclusões. “Não queremos que se sucedam muitas mais reuniões como esta”, afirmou, explicando que é necessário marcar o quanto antes a data do referendo bem como definir a pergunta a fazer aos eleitores catalães.