Rádio Observador

Centro Cultural De Belém

Nova temporada do CCB com Monteverdi e Bosch

Com uma programação extensa e diversificada, a nova temporada do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, promete abrir as portas a "outras perspetivas" artísticas.

A partir de 1 de julho, haverá festa nos jardins do Centro Cultural de Belém com concertos de jazz e de música do mundo

© Marta Azevedo

Música, dança, teatro, exposições e conferências. Estas são algumas das apostas do Centro Cultural de Belém (CCB) para a nova temporada de 2017/2018, que promete trazer ao CCB “outras perspetivas artísticas”. Dividida em quatro eixos programáticos, a nova programação, que se inicia em setembro, terá uma maior diversidade de apostas ao mesmo tempo que procurará cimentar algumas iniciativas já lançadas, como explicou Elísio Summavielle, diretor do CCB, durante uma conferência de imprensa, esta terça-feira.

Esta é a primeira vez que a programação do CCB funciona por temporada (anteriormente, era organizada por ano económico). A grande vantagem é que permite alinhar mais facilmente a programação dos teatros, nacionais e internacionais, com o que se passa no CCB. O que não deixa de ser um risco, uma vez que o orçamento é anual. “Aceitámos o risco de anunciar coisas para o próximo ano partindo do princípio de que será igual ou melhor [do que este]”, afirmou Elísio Summavielle.

Segundo o diretor do CCB, para esta temporada procurou-se abrir “o programa a outras perspetivas” artísticas, aumentando o leque de propostas. Maior diversidade e mais público, mantendo o investimento que já foi feito pela atual direção — é isto que se pretende para 2017/2018. De acordo com Summavielle, o orçamento para a programação desta temporada ronda os dois milhões de euros, e é mais ou menos igual ao que foi estipulado para este ano, segundo o diretor do CCB.

Pela primeira vez, a programação do CCB será distribuída por uma temporada (D.R.)

“Pouco mais de um ano depois de esta direção ter entrado em funções, podem ver no relatório de contas que o saldo é positivo”, disse durante a conferência de apresentação da nova programação esta terça-feira, chamando a atenção para o facto de as contas terem sido “reequilibradas” com “algum sacrifício” da parte do CCB. “As nossas limitações financeiras são conhecidas, no entanto conseguimos aumentar a receita”, com um aumento do número de visitantes na ordem dos 14%.

Luísa Taveira, vogal do Conselho de Administração que também esteve presente na conferência desta terça-feira, salientou a diversidade da programação de 2017/2018, que englobará todas as “áreas programáticas”, do teatro à música, passando pelo cinema e pela literatura. O objetivo é “abarcar temas de todos os tempos com uma perspetiva atual, devolvendo-os mais refletidos”.

“Queremos ser uma cidade aberta, um espaço que dê espaço à redenção tal como as pinturas de Hieronymus Bosch”, afirmou a vogal, numa referência a um dos momentos-chave da próxima temporada, que terá o pintor como figura central. Porque outra das novidades é a divisão da programação em ciclos temáticos, dos quais se destacam quatro “que estarão presentes ao longo de toda a temporada”.

Mas, além destes quatro eixos, a programação irá incluir outras dezenas de eventos, a começar já neste mês de julho. No âmbito do “CCB de Verão”, que decorre entre 1 de julho e 8 de setembro, haverá concertos de jazz e de músicas do mundo no Jardim das Oliveiras (sempre às 19h), cinema na Praça (às 21h30) e um ciclo dedicado às realizadoras Ila Bêka e Louise Lemoine. Em 2018, ano em que se celebram os 25 anos do CCB, haverá várias iniciativas especiais, que incluem uma exposição — Memorabilia, que percorrerá os momentos altos da fundação –, um espetáculo “imprevisível” da Mala Voadora e uma Festa na Praça.

Festival Monteverdi

De 14 a 16 de setembro de 2017

Um desses momentos é o Festival Monteverdi, que pretende assinalar os 450 anos do nascimento do compositor italiano Claudio Monteverdi. O festival arranca no dia 14 de setembro de 2017 com as Vésperas de Nossa Senhora, obra de transição entre o Renascimento e o Barroco que se posiciona como uma das mais paradigmáticas da música ocidental. Esta será interpretada pela Ludovice Ensemble, com órgão e direção musical de Fernando Miguel Jalôto, no Grande Auditório CCB.

No dia 16 de setembro, a orquestra La Venexiana irá apresentar Orfeu. Considerada a primeira ópera no sentido moderno, uma vez que foi a primeira a reunir os ingredientes básicos deste género musical de uma forma consistente, Orfeu estreou-se a 24 de fevereiro de 1607 nos espaços do palácio do Duque de Mântua.

A orquestra La Venexiana irá apresentar a ópera Orfeu, de Monteverdi (Kaupo Kikkas)

No mesmo dia, a partir das 11h, na Sala Luís de Freitas Branco, serão apresentados os Livros III, IV e V de Madrigais, pelo Coro Ricercare e o Coro Vocal Olisipo. No dia seguinte será a vez dos Livros I, II, VI, VII e VIII, pelo Officum Ensemble, Grupo Vocal Olisipo e La Venexiana, também a partir das 11h.

De Zeus a Varoufakis

De 20 de janeiro a 11 de março de 2018

Com o tema “A Grécia nos destinos da Europa”, este núcleo programático — que se inicia a 1 de fevereiro do próximo ano — irá percorrer “algumas das ideias e valores que a cultura grega incutiu no solo cultural do ocidente”, numa altura em que a Europa “parece esquecer-se dos fundamentos que lhe foram desenhando o rosto”, refere a programação. Da música ao teatro, a Grécia Antiga será revisitada através de várias expressões artísticas, que se irão estender até inícios do mês de março.

A 20 de janeiro de 2018, a Orquestra Sinfónica Castilla y León irá apresentar um alinhamento de inspiração grega, que incluirá, em estreia mundial, a peça Canções Helénicas de Nuno Côrte-Real, baseada em Sophia de Mello Breyner. A interpretação é da soprano Elisabete Matos e a direção de Côrte-Real. Nos dias 1, 4 e 7 de fevereiro de 2018, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos irão levar à cena a ópera Elektra, de Richard Strauss, com direção musical de Leon Hussein (que dirigiu a ópera-oratória Oedipus Rex, de Igor Stravinski, no São Carlos).

No final do mês, será apresentada a peça Oresteia, de Ésquilo. No espetáculo, encenado por Tónan Quito, serão encenadas as três partes da tragédia grega em torno da figura de Orestes, filho de Agamémnon e Climnestra. A 2 e 3 de março de 2018, será a vez de The Great Tamer (“O Grande Domador), de Dimitris Papaioannou, o grande coreógrafo grego da atualidade, que estará pela primeira vez em Portugal.

Com uma programação rica em música, este núcleo programático inclui ainda os seguintes espetáculos:

  • 8 de fevereiro — “Grandes Heroínas da Antiguidade Clássica”, um concerto com a soprano Sandra Medeiros na voz e Francisco Sassetti no piano que se debruça sobre as grandes personagens femininas da Antiguidade Grega, como Efigénia, Climnestra ou Helena;
  • 22 de fevereiro — “Música para Percussão de I. Xenákis”, um concerto no qual o jovem percussionista Agostinho Sequeira, vencedor do Prémio Jovens Músicos de 2016, irá apresentar o universo do compositor grego I. Xenákis;
  • 4 de março — “Syrinx ou o Encantamento Grego”, um espetáculo da Schostakovitch Ensemble em torno da ninfa Syrinx, pela qual Pan se apaixonou. A direção musical é de Filipe Pinto-Ribeiro;
  • 11 de março — um concerto da Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida por Pedro Carneiro, que irá fazer a ponte entre a era moderna e a antiguidade.

Tirai os Pecados do Mundo

De 4 de abril a 19 de maio de 2018

O mês de abril será dedicado a Hieronymus Bosch, um dos grandes nomes da pintura medieval europeia que ainda hoje fascina e apaixona historiadores, artistas e curiosos em todo o mundo. Com uma programação transversal, o ciclo pretende tematizar o “legado perturbante e enigmático de um dos maiores pintores do século XV, procurando declinar alguns aspetos e leituras” que a sua obra permite suscitar, sempre em diálogo com a contemporaneidade.

Intitulado “Tirai os Pecados do Mundo”, o ciclo arranca no dia 4 de abril com As Estrelas Lavam os Teus Pés, um espetáculo da Fábrica das Artes. A partir de 10 de abril, de dois em dois dias, haverá cinema no CCB. Os filmes selecionados, pretendem ser “sugestões de leitura sobre os sete pecados mortais”, explicou Luísa Taveira, e incluem longas-metragens como De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick, ou O Ódio, de Mathieu Kassovitz.

O filme O Ódio, de Mathieu Kassovitz, será exibido no âmbito do ciclo “Tirai os Pecados do Mundo” (D.R.)

A 15 de abril, será exibido El Bosco. El Jardín de los Sueños, de José Luis Lópes-Linhares. O documentário, encomendado em 2016 pelo Museu do Prado para uma exposição dedicada a Bosch, fornece pistas para a interpretação das obras do pintor. O CCB irá receber, no mesmo dia, dois dos maiores especialistas em Bosch — Pilar Silva Maroto, do Prado, e Joaquim Caetano, do Museu Nacional de Arte Antiga, vão discutir a importância do pintor no âmbito da exposição dos seus 500 anos em Madrid.

Os Dias da Música em Belém, um dos grandes eventos anuais do CCB; serão realizados entre 26 e 29 de abril e, pela primeira vez, irão integrar um ciclo temático. Com o tema “Castigos, Culpas e Graças Divinas”, o evento terá a forma de um tríptico. Entre 18 e 19 de maio, a Compagnie Marie Chouinard vai apresentar Hieronymus Bosch: O Jardim das Delícias, um bailado da coreógrafa Marie Chouinard inspirado na obra homónima do pintor.

No Fundo Portugal é Mar

De 8 de maio a 31 de julho de 2018

No âmbito da exposição No Fundo Portugal é Mar, que será inaugurada a 8 de maio de 2018, o CCB desenvolveu uma extensa programação em parceria com a Estrutura para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), dirigida a todos os públicos — miúdos e graúdos. Em relação à mostra propriamente dita, esta irá agregar três propostas artísticas que ligam a terra ao mar:

  • TerraMar, uma instalação-vídeo de Graça Castanheira “que nos faz viver abaixo da linha da água”, refere a programação;
  • Portas do Mar, uma instalação de Rui Rebelo e Marco Fonseca “que nos traz o universo sonoro do mar, dos portos e praias”;
  • Balaena Plasticus, um esqueleto de uma baleia de barbas criado a partir do lixo trazido pelo mar por Ana Pêgo e Luís Quinta, “que nos lembra a urgência ambiental”, como salientou Luísa Taveira.

Relativamente à restante programação, esta irá ainda incluir uma série de oficinas (de 9 de maio a 24 de junho), mini-palestras — “Conversas com Mar” — no Jardim das Oliveiras (de 17 de maio a 26 de julho), e vários espetáculos, entre eles A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner a partir de música de Bernardo Sassetti.

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