Empresas líderes no fornecimento de serviços electrónicos para transporte de passageiros em áreas urbanas, com condutor, tanto a Uber como a Lyft têm sido duas das principais impulsionadoras no desenvolvimento do automóvel 100% autónomo do futuro. Esforços que, no entanto, parecem não ser reconhecidos pelos seus próprios clientes, os quais, num inquérito realizado pela empresa Inrix, afirmam não acreditar que as duas companhias tenham capacidade suficiente para desenvolver algo tão complexo como um sistema de condução autónoma.

Segundo este estudo, que abarcou um total de 5.054 inquiridos, continuam a ser os fabricantes automóveis dito tradicionais que maior dose de confiança conseguem colher. Com a excepção a ter como nome Google, gigante tecnológico que os indivíduos com respostas válidas ao inquérito acreditam ter capacidade para conseguir desenvolver um sistema de condução autónoma fiável e seguro.

Realizada não apenas nos EUA, mas também em países europeus como a França, a Alemanha, a Itália e o Reino Unido, a sondagem conclui que cerca de um terço dos inquiridos vê os construtores tradicionais como os mais capacitados para desenvolver a tecnologia, ao passo que 20% acredita poder ser um gigante como a Google a apresentar a primeira solução fiável, para essa nova realidade. Pelo contrário, apenas 4% entrega às companhias que se dedicam ao transporte de passageiros a liderança deste novo desafio, com a Uber a surgir, ainda assim, como a mais vezes citada. Certamente, resultado da já muito noticiada parceria que a empresa mantém com o fabricante automóvel sueco Volvo, ao abrigo da qual chegou a colocar nas estradas californianas várias unidades XC90 equipadas com tecnologia de condução autónoma. Uma das quais acabou, contudo, por ser filmada a passar um sinal vermelho, quase atropelando um peão.

De salientar ainda o facto de a Tesla, vista por muitos como um dos líderes no desenvolvimento desta tecnologia, praticamente não ser referida pelos entrevistados, neste inquérito sobre as empresas que maior confiança merecem do público, nos seus esforços em prol do carro autónomo do futuro. Isto apesar da própria empresa de Elon Musk requerer há muito a liderança desta corrida, baseando as suas pretensões nos desenvolvimentos já alcançados, em resultado dos milhares de quilómetros já cumpridos pela frota de veículos que tem entregue a clientes. Algo que, ainda assim, e tal como acontece com as restantes companhias mais jovens, não parece ser suficiente para granjear o mesmo reconhecimento que o público dá aos construtores tradicionais.

Neste estudo, destaque ainda para a forma bem diferente como os vários grupos etários encaram a possibilidade de vir a viver numa realidade de carros que se deslocam sozinhos. Com a faixa etária dos 30 a mostrar-se bem mais receptiva a tal possibilidade do que, por exemplo, os potenciais clientes hoje em dia com 60 ou mais anos.