Investigadores da universidade norte-americana do Michigan garantem que é possível reduzir, até 99,9%, o tempo e os milhões que os fabricantes obrigatoriamente têm de gastar em testes de estrada, de forma a validarem a sua tecnologia de condução autónoma. Como? Com um novo método capaz de o fazer de forma acelerada e de permitir a sua validação em não mais que algumas centenas de quilómetros. Algo que, a confirmar-se, permitirá aos fabricantes não só cortar consideravelmente nos custos relacionados com o desenvolvimento da tecnologia, mas também ajudar outros construtores, com menor capacidade financeira, a acompanharem os chamados “grandes”.

Recorde-se que só a norte-americana Tesla terá gasto qualquer coisa como 2.000 milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) na validação da sua tecnologia de condução autónoma. Algo que, de resto, só conseguiu após milhões e milhões de quilómetros cumpridos em testes, que, aliás, a marca de Elon Musk continua a aumentar, através da frota de veículos que tem entregue a clientes.

“Mesmo os esforços mais avançados e amplos no sentido de testar veículos autónomos acabam por ficar hoje em dia, aquém do necessário para verdadeiramente testar estes carros robotizados”, defende o director do departamento MCity da Universidade do Michigan e professor de engenharia mecânica, Huei Peng. Razão pela qual, baseando-se na informação recolhida ao longo de mais de 25 milhões de milhas de condução em ambiente real, com um condutor ao volante, foi desenvolvido um método novo, que elimina desde logo a maioria das milhas realizadas e durante as quais nada de relevante acontece.

Pelo contrário, o programa concentra-se antes em momentos e situações que, embora não acontecendo com frequência, podem levar a acidentes graves. E nas quais, garantem os investigadores, o elemento imponderável é precisamente o ser humano que conduz a viatura.

Assim, e através de um processo de avaliação acelerada, concentrado precisamente nesses momentos, tal permite que estes possam ser simulados e testados repetidamente, ao mesmo tempo que se eliminam os milhões de milhas em que nada acontece entre eles.

O maluco atrás do volante

Durante uma conferência recente, em Cambridge, o professor do MIT Bryan Reimer recordava que os computadores são racionais 100% do tempo. Já as pessoas, não. Razão pela qual o maior desafio colocado a esses sistemas de condução autónoma é, precisamente, levar em linha de conta a acção do “maluco que está atrás do volante”.

No processo de elaboração do novo programa de análise, os investigadores conceberam as simulações em computador de forma a considerarem os condutores como a primeira ameaça aos veículos autónomos. Nomeadamente, inserindo reacções inesperadas da parte do humano, ao longo de toda a análise.

Durante o acto da condução, as duas situações mais comuns de conflito acontecem quando um carro autónomo é seguido por um outro automóvel, conduzido por um humano, ou então quando um carro conduzido por um condutor se coloca à frente de um veículo autónomo. Sendo que outras áreas de conflito podem ser igualmente programadas através de uma análise acelerada e estudo, sem necessidade de dispêndio de tempo ao volante e investimento financeiro na realização de testes de estrada, asseguram os investigadores.