O Presidente da República admitiu esta quarta-feira que a missão militar no Mali foi “mais difícil que o esperado”, devido à crescente instabilidade no território, mas elogiou o desempenho das forças portuguesas.

“Era uma missão muito difícil, mais difícil do que se tinha pensado, porque a instabilidade foi crescendo ao longo da vossa permanência naquele território, obrigando a uma dedicação acrescida, atenção crescente e devoção sem limites”, disse o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República esteve esta quarta-feira na Base Aérea Nº6, no Montijo, acompanhado pelo ministro de Defesa, Azeredo Lopes, na receção à Força Nacional Destacada (FND) no Mali no âmbito da missão MINUSMA, que decorreu nos últimos seis meses.

“É uma missão essencial para a pacificação, estabilização política e respeito das pessoas, em particular das mais vulneráveis, numa área turbulenta do continente africano. É uma missão importante para o mundo, para a Europa e, em especial, para Portugal. Quando se fala da situação da Europa e se olha para o mediterrâneo e norte de África, e para o desafio colocado a todos nós pelas migrações vindas do continente africano, é preciso não esquecer que a causa principal é a instabilidade politica, económica e social nas áreas de onde proveem os migrantes”, defendeu.

Além disso, acrescentou, as migrações do centro para o norte de África têm uma rapidez e uma gravidade elevadas, acentuando os fatores de instabilidade que pressionam o norte de África, o mediterrâneo e a Europa.

Concluiu-se uma participação excelente, que ultrapassou os objetivos definidos, num contexto bem mais difícil do que era esperado. O que vos posso dizer é obrigado em nome de Portugal e dos portugueses”, salientou, lembrando o trabalho efetuado no transporte de feridos no dia 20 de janeiro ou a defesa da zona de Timbuktu.

Em janeiro, o C-130 da Força Aérea Portuguesa foi utilizada para transportar 11 feridos de um atentado na cidade de Gao (norte do Mali), que provocou 79 mortos e 115 feridos.

No âmbito da missão, que começou em novembro no Mali, estiveram envolvidos 193 militares, num esquema de rotação, estando em permanência no local 66 militares, 60 da Força Aérea e seis paraquedistas. Os seis paraquedistas foram os únicos que estiveram os seis meses no território. A missão portuguesa, que rendeu na zona de Bamako a força norueguesa que estava no local, desempenhou com um C-130 ações de transportes de feridos e doentes, transporte de passageiros, lançamento de carga e reconhecimento.

“Estávamos preparados e treinados. Não encontrei nenhuma situação para a qual não houvesse uma resposta já preparada. Estávamos com a motivação em alta, treino adequado e bem equipados. Existe sempre motivo de preocupação, mas aquela era a nossa casa durante seis meses e estávamos preparados”, sublinhou o tenente-coronel José Nogueira, um dos dois comandantes de destacamento na missão.

Já a major médica Glória Magalhães, umas das 24 mulheres envolvidas na missão, esteve um mês no Mali na missão MINUSMA. “Para nós militares é sempre difícil sair do conforto do nosso país e ir para um território estranho onde existe um risco acrescido, mas isso é a nossa missão. Toda a missão tem os seus desafios. O que tentamos fazer é gerir o risco e o maior risco foi quando fomos para território hostil no norte do Mali”, contou.

A militar reconheceu ainda que o que a mais impressionou foi o facto de os malianos “saberem viver felizes com o pouco que têm”. A missão portuguesa foi agora rendida no local pela Dinamarca.