O Novo Banco propôs aos 19 trabalhadores da unidade de arquivo de Palmela rescisões dos contratos por mútuo acordo, disse fonte do SINTAF à Lusa, acusando a instituição de fazer esta proposta sob ameaça de quem não aceitar ser despedido.

Segundo Rute Pires, do SINTAF – Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira, os trabalhadores foram avisados da intenção do Novo Banco na sexta-feira passada (26 de maio) e têm até esta quarta-feira para decidirem se aceitam ou não rescindirem por mútuo acordo.

A dirigente deste sindicato, ligado à CGTP, considerou à Lusa que esta é uma “rescisão por mútuo acordo imposta” e que aqueles que não aceitarem estão perante a ameaça de serem despedidos por extinção do posto de trabalho.

O trabalho que é feito, atualmente, por estes trabalhadores da unidade de arquivo de Palmela passará a ser feito por uma empresa de segurança, externa ao Novo Banco, explicou.

O SINTAF informou esta quarta-feira desta saída de trabalhadores do Novo Banco num comunicado, no qual afirma que esta atitude do Novo Banco contraria as informações dadas em fevereiro, acusando o banco de “continuar a despedir sem critério e através de chantagem psicológica e assédio moral”.

Acrescenta a entidade sindical que, neste processo, o banco não deu “em tempo útil qualquer informação e não negociou com as estruturas representativas dos trabalhadores”, considerando esse comportamento “prepotente”.

A Lusa contactou o Novo Banco sobre este tema, mas fonte oficial remeteu um comentário para mais tarde.

Em abril, na apresentação das contas de 2016 (ano em que teve prejuízos de 788,3 milhões de euros), o presidente da instituição, António Ramalho, disse que aderiram aos planos de pré-reformas e rescisões voluntárias 268 trabalhadores, o que, a somar ao número dos trabalhadores que já tinham saído em 2016, levava já ao cumprimento da meta definida para junho de 2017, que obrigava a reduzir até 1.500 pessoas.

As metas de corte de trabalhadores e de reduções de balcões foram exigidos por Bruxelas no âmbito do Plano de Reestruturação do banco.

O Novo Banco está em processo de venda ao fundo de investimento norte-americano Lone Star.