A Marubeni assinalou esta terça-feira a abertura oficial de escritórios em Portugal. Apesar de ser um dos maiores grupos de investimento industrial no Japão, movimentando um volume de negócios anual de 90 mil milhões de euros, cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) português, o grupo é relativamente pouco conhecido, estando muito longe da notoriedade pública de outros investidores estrangeiros em Portugal.

Os chineses e os investimentos âncora que fizeram na EDP e na REN ofuscaram a dimensão da presença da Marubeni em Portugal, mas o grupo japonês será já o segundo maior investidor estrangeiro em ativos de energia, depois da China Three Gorges, a maior acionista da EDP, e controla metade do maior produtor de eletricidade em território nacional.

Desde 2013, a Marubeni investiu mais de 400 milhões de euros em ativos portugueses, sobretudo na área da energia. A criação de um escritório em Portugal foi marcada pela presença do presidente executivo que sinalizou o interesse do grupo japonês em reforçar os seus investimentos no mercado português.

Para além das infraestruturas, a Marubeni está de olhos no setor das commodities, e em particular na agricultura, afirmou Fumiya Kokubu aos jornalistas, à margem da cerimónia que assinalou a inauguração dos escritórios em Portugal, e onde estiveram também o ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, e o presidente da Aicep, Castro Henriques.

“Estamos a olhar para muitas oportunidades. Não posso dizer quais. Os investimentos nas infraestruturas têm sido o foco até agora, e estamos a analisar novos projetos, mas vamos olhar para outras áreas. Este país tem grande potencial. A economia está a melhorar cada vez mais”.

Fumiya Kokobu sublinha que o grupo é um investidor de longo prazo e admite que o investimento no mercado português pode duplicar daqui a cinco anos. Outro dos focos da estratégia para Portugal passa pelos países da CPLP onde a Marubeni que explorar oportunidades, através de parcerias com empresas portuguesas. O presidente executivo refere a parceria desenvolvida com a Galp na área da distribuição do gás e admite fazer outros projetos em África ou no Brasil, nomeadamente no offshore petrolífero.

“E uma possibilidade, mas ainda não fizemos nenhum estudo concreto. Tudo está em cima da mesa. Estamos a estudar muitos dossiês, mas queremos olhar primeiro para o mercado doméstico e aprofundar as relações com os parceiros que já temos. Mas estou muito otimista e entusiasmado com este país”.

Grupo apresentou proposta para a EDP em 2011

A Marubeni decidiu investir em Portugal e começou por estudar a privatização da EDP em 2011. Mas apesar da oferta ter sido até bastante elevada, o grupo acabou por falhar a short-list dos principais concorrentes, sobretudo devido a um insuficiente projeto estratégico para a elétrica e para a economia nacional. O concurso foi ganho pela China Three Gorges, a empresa estatal chinesa que construiu a megabarragem das três gargantas

Em 2013, o grupo japonês comprou metade dos ativos de produção de eletricidade dos franceses da GDF Suez, que entretanto passou a chamar-se Engie, no mercado nacional. A Marubeni tem 50% da Trustenergy, que é a segundo maior produtora de eletricidade em Portugal. A aquisição ascendeu a 328 milhões de euros, segundo informação financeira da antiga GDF Suez.

A Trustenergy explora as centrais da Turbogás (gás natural) e do Pego (carvão e gás natural), dispõe de 3.000 megawats de capacidade instalada, incluindo quase 400 MW de parques eólicos. O grupo representa cerca de 19% da potência nacional.

Em 2014, a Marubini, em associação com outros investidores japoneses, adquiriu ao grupo Somague a AGS, empresa que opera no abastecimento de água e que explora as concessões em baixa de 14 municípios nacionais, incluindo Cascais e Setúbal.

Em 2016, em associação com a também japonesa Soho, adquiriu uma participação de 22,5% na empresa de distribuição de gás natural da Galp Energia por 138 milhões de euros.

Com mais de um século de existência, a Marubeni moderna é um conglomerado diversificado (sogo shosha) que cresceu a partir de uma empresa de comércio internacional, uma corretora, que operava em vários setores e que tinha já relações comerciais com empresas portuguesas.

Desde os produtos de consumo, alimentação e lifestyle, agricultura e floresta, passando por petróleo, indústria química, metais e setor mineiro, e ainda por energia, transporte e ambiente, há poucos setores que não estão representados no portfólio do conglomerado japonês. A empresa está em 68 países e os seus investimentos são responsáveis por 40 mil postos de trabalho.

O grupo está cotado na bolsa japonesa e entre os seus principais acionistas estão vários fundos geridos por instituições financeiras japonesas.