A Grécia cumpriu todos os compromissos com os credores, afirmou nesta quarta-feira Alexis Tsipras, que apelou a que as entidades que garantiram financiamento ao país honrem as responsabilidades assumidas. O primeiro-ministro grego, que discursou hoje sobre o tema, pediu uma solução “clara” para a dívida pública da Grécia que “não aumente a incerteza para os investidores”.

O governo, acrescentou Tsipras, está disponível para aceitar uma solução que permita à Grécia regressar ao financiamento através dos mercados, possibilitando ao país deixar de depender dos credores oficiais europeus para garantir as necessidades de financiamento, e que assegure estabilidade e respeito pelos sacrifícios efetuados pelos contribuintes do país. O líder grego adiantou que a “perceção obsoleta” da competitividade através da desvalorização dos salários conduz a um aumento das desigualdades e à fuga de cérebros.

As declarações de Alexis Tsipras surgem na sequência de notícias de que os ministros das Finanças da zona euro não estarão na disposição de oferecer à Grécia um pacote de medidas de alívio da dívida, que atinge 180% do produto interno bruto, quando discutirem o assunto durante uma reunião agendada para 15 de junho. De acordo com a Bloomberg, que cita fontes envolvidas diretamente nas negociações entre responsáveis da zona euro e as autoridades gregas, os parceiros europeus não pretenderão ir mais longe do que a concessão de uma extensão das maturidades dos empréstimos, decisão que poderá não ser suficiente para que o Banco Central Europeu inclua as obrigações emitidas pela Grécia na lista do programa de compra de ativos que a instituição deverá manter ativo até ao final de 2017.

Grécia à beira de nova crise. Dívida é “explosiva”, diz o FMI

O presidente do banco central grego, Yannis Stournaras, afirmou em Frankfurt, durante uma conferência realizada pela revista The Economist, que a Grécia “não aguentará mais um ano de incerteza sobre se haverá algumas medidas dirigidas à dívida ou não”. Os apelos da Grécia surgem depois de, a 22 de maio, os ministros das Finanças da zona euro terem fracassado na tentativa de chegar a um entendimento sobre como aliviar o fardo da dívida grega.

Um acordo entre as duas partes permitiria desbloquear a entrega de novos fundos à Grécia, possibilitando ao país o pagamento de compromissos que vencem em julho, mas mantém-se a pressão para que Atenas adote as medidas de austeridade com as quais se comprometeu, antes de haver qualquer discussão que vá ao encontro das pretensões do país. “A Grécia devia reforçar o compromissos com as políticas programadas em vez de se focar em novas medidas de alívio da dívida”, afirmou nesta quarta-feira o economista-chefe do Mecanismo de Estabilidade Europeu, Rolf Strauch.

Os credores oficiais da Grécia, lista em que se inclui o Fundo Monetário Internacional, propuseram à Grécia a extensão, em 15 anos, das maturidades dos empréstimos concedidos ao país, mas esta medida foi considerada “insuficiente” pela organização liderada por Christine Lagarde.