O governo do Paquistão negou esta quinta-feira qualquer participação dos seus serviços secretos no atentado de quarta-feira que matou 90 pessoas em Cabul, uma acusação que partiu dos serviços de informação do Afeganistão.

Rejeitamos as acusações infundadas do Governo afegão. As acusações não ajudam nos esforços de paz”, declarou esta quinta-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Nafees Zakaria, na conferência de imprensa semanal.

O responsável acrescentou que os fatores que levaram à deterioração da segurança no Afeganistão são exclusivamente internos, desmentindo assim que Islamabad esteja por detrás da Rede Haqqani, o grupo ligado aos talibãs que foi responsabilizado pelo atentado.

“Portanto, a mera retórica do Afeganistão de culpar os outros para esconder os seus próprios fracassos não vai resolver o problema“, disse Zakaria.

O porta-voz reiterou que o Paquistão é um “sincero amigo” do Afeganistão e que o seu compromisso para com a paz e a estabilidade do vizinho estão “acima de qualquer dúvida”.

O Diretório Nacional de Segurança (NDS) afegão adiantou na quarta-feira, em comunicado, que “o bárbaro ataque de Cabul foi planeado pela Rede Haqqani no Paquistão”, acrescentando que, segundo as primeiras informações, o grupo terrorista contou com a “orientação e a cooperação direta da Agência de Espionagem do Paquistão ISI”.

Cabul e o seu principal aliado, Washington, têm acusado nos últimos anos o governo paquistanês de dar refúgio a grupos de combatentes islâmicos no seu território, entre os quais a Rede Haqqani. Estes grupos cometem atentados contra que as tropas afegãs e norte-americanas. Também a Índia e o Irão acusam o Paquistão de dar refúgio a grupos terroristas no seu território.

Numa reação ao atentado, o Conselho Afegão de Críquete anunciou esta quinta-feira o cancelamento de todos os jogos e acordos com o Paquistão. Cabul e Islamabad chegaram recentemente a acordo para a realização de dois jogos amigáveis na capital afegã e na cidade paquistanesa de Lahore, bem como duas séries de encontros no Paquistão e nos Emirados Árabes Unidos.

Em fevereiro tinha sido o Governo de Islamabad a acusar o Afeganistão de albergar terroristas que atuam no Paquistão. Na altura, o governo paquistanês ordenou o fecho das fronteiras durante várias semanas após um atentado contra um templo sufi no qual morreram 88 pessoas.