O ano de 2012 foi provavelmente o pior deste século para os portugueses e também aquele em que a crise se fez sentir com maior intensidade entre os associados da APED. Nesse ano, a população empregada nestas empresas era de cerca de 86.700 colaboradores. O ano de 2013 assinalou um crescimento importante, com mais 4.600 colaboradores, enquanto entre 2014 e 2015 o crescimento foi menos intenso mas igualmente positivo – mais 2.900 colaboradores.

A nível europeu, à exceção da Grécia, o crescimento da população empregada do setor na generalidade dos casos foi também reduzido, tendo em alguns casos sido mesmo negativo – como foi o caso na Áustria, França, Itália e Reino Unido. O crescimento médio dos 28 países da União Europeia foi de 0,6%.

Mesmo perante um cenário adverso, as empresas do setor da distribuição nacional, e em especial os associados da APED, revelaram capacidade de inovação e competitividade.

Mais escolaridade e mais formação

O estudo As Nossas Pessoas – Um retrato social da Distribuição, realizado pela APED e apresentado nesta quinta-feira, revelou que a grande aposta das 129 empresas que integram a associação tem sido nas pessoas, nos seus 110.808 colaboradores.

Cerca de 90% destes profissionais têm pelo menos o 3º ciclo, sendo que 10% têm ensino superior universitário, taxa que em 2010 era de apenas 8%.

Mas a meta é uma qualificação ainda mais efetiva. Assim, o investimento na formação profissional tem sido constante e crescente. Só em 2015 foram destinados 28 milhões de euros, num total de 3 milhões de horas de formação, o valor mais elevado dos últimos anos.

Igualdade e diversidade

Neste setor predominantemente feminino (67% dos trabalhadores), tem sido também significativo o empenho em salvaguardar a igualdade nas condições de progressão na carreira e práticas que visam melhorar a conciliação entre a vida profissional e familiar.

Atentas ao seu papel na sociedade em que se inserem assim como na importância da diversidade, estas empresas têm desenvolvido também programas de integração que visam proporcionar acesso ao mercado de trabalho a determinados grupos de cidadãos em situação de especial vulnerabilidade.

Estabilidade, segurança e satisfação

Mais da metade dos colaboradores da APED estão há pelo menos 5 anos na mesma empresa. Estes números contrariam a ideia de que no setor da distribuição há uma grande rotatividade e a uma atitude de indiferença face aos seus colaboradores.

Pacotes de benefícios para os colaboradores e as suas famílias, prémios de produtividade e inquéritos de avaliação do clima social e organizacional da empresa são algumas das iniciativas a que muitos dos associados da APED recorrem para pôr em prática o compromisso na retenção e valorização dos seus colaboradores.

Mas a segurança é também importante. Entre 2013 e 2014 a sinistralidade caiu em quase 10 pontos entre as empresas associadas da APED. Ações de sensibilização realizadas pelas empresas do setor começaram a dar frutos. O ano de 2014 marcou o ponto de viragem, com a queda do índice de frequência de acidentes de trabalho de 38,7 (2013) para 29,4. A meta é pôr fim a estes acidentes.

O estudo

As Nossas Pessoas – Um retrato social da Distribuição é um estudo que revela os principais indicadores dos recursos humanos das empresas associadas da APED. Foi realizado com base nos respetivos balanços sociais até 2008 e posteriormente através de um questionário relativo ao período entre 2009 e 2015.