O presidente da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, acusou nesta quinta-feira o Governo de incumprimento do acordo que possibilitou a subida do salário mínimo em 2017, admitindo reservas face a futuras negociações. “O Governo não está a cumprir o acordo do salário mínimo. É muito grave e ficamos de pé atrás sobre futuros acordos sobre o salário mínimo”, afirmou aos jornalistas o líder da CCP, à saída de uma reunião entre o Governo e os parceiros sociais.

Vieira Lopes assinalou que a CCP condicionou o acordo para o aumento do salário mínimo deste ano à revisão em alta dos valores dos contratos de um conjunto de empresas que prestam serviços para o Estado, como é o caso da área das limpezas, e que contam com uma percentagem elevada de trabalhadores que auferem o salário mínimo. “O Governo comprometeu-se a compensar os setores onde o peso do salário mínimo fosse grande”, vincou.

Já o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que também participava nos trabalhos, confrontado pela comunicação social com as declarações de Vieira Lopes, garantiu que a portaria em causa vai ser enviada “nos próximos dias” aos parceiros sociais. O governante disse que em causa está o “processo de revisão de preços” pagos pelo setor público às empresas abrangidas.