O presidente executivo do Millennium BCP, Nuno Amado, declarou esta quinta-feira, em Santarém, estar “otimista” quanto ao futuro do país e à melhoria do rating, que acredita que irá acontecer, não arriscando antecipar uma data.

“O próximo passo, decisivo, que toda a gente diz que é para setembro e não consigo antecipar se é para setembro, e é absolutamente essencial, é a melhoria do rating”, disse Nuno Amado no encerramento das Jornadas Millennium BCP Empresas dedicadas à agricultura e às agroindústrias, que decorreu esta quinta-feira em Santarém.

Sublinhando que a classificação de risco é “decisiva” por determinar a capacidade de financiamento junto do Eurossistema, o presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP afirmou ser “essencial” o país não estar baseado no rating (classificação financeira de risco) de uma única agência, o que exige provar que há sustentabilidade.

“Se eu estivesse numa empresa de ‘rating’ só melhoraria o ‘rating’ não tanto pelo PIB melhorar mas pelo PIB melhorar conjugadamente com a dívida começar a baixar em função do PIB. Só a conjugação destes dois fatores permite mostrar que há sustentabilidade. Acredito que vai acontecer, é um passo decisivo. Também estou otimista sobre isso, não consigo é antecipar datas”, declarou.

Para justificar o otimismo, Nuno Amado apontou as perspetivas de crescimento sustentado na agricultura e na agroindústria, mas também na indústria, “porque as empresas que ficaram (…) depois de toda a crise dos últimos anos têm um nível de inovação, de capacidade de ajuste grande, e estão a investir”, aproveitando os fundos comunitários, o que “vai ter efeitos a longo prazo”.

Referiu ainda os dados positivos nas áreas do turismo e dos serviços, com o país a ter capacidade de atrair “um conjunto de serviços”, não só para grandes centros, como Lisboa e Porto, mas também para o interior, e as perspetivas de melhoria em mercados como os de Angola e Moçambique.

Para Nuno Amado, “o problema está no setor público”, apelando a que o país não repita “erros do passado”, de tentação de aumento da despesa pública, “sempre muito mais rígida que as receitas”, quando “as coisas começam a ficar melhores”. Sobre o BCP, referiu a “situação muito difícil” de que o banco saiu em fevereiro, quando acabou de pagar o apoio do Estado, e o facto de estar hoje numa “situação muito favorável”.

“Demorámos quatro anos num processo de reestruturação profundo, mas hoje estamos muito mais eficientes do que no passado e não somos segundos em nível de eficiência para ninguém”, disse, apontando como “fator de diferenciação” o ser “o único banco com dimensão, privado, português”, o que considerou ser “uma enorme vantagem”.