Os trabalhadores da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal – reclamam aumentos salariais, que dizem não acontecer há cinco anos, mas a empresa contrapõe que mais de 70% dos trabalhadores tiveram salários revistos, política que manterá este ano.

“Os trabalhadores da OGMA consideram inadmissível que, depois de cinco anos em que os lucros somaram 45 milhões de euros, não tenha havido qualquer atualização salarial”, disse à agência Lusa Alexandre Plácido, coordenador do STEFFAs – Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa – no final de um plenário de trabalhadores empresa, em que o Estado detém um participação de 35%.

Mas a OGMA diz que “mais de 70% dos trabalhadores da empresa viram os seus salários revistos” ao longo dos últimos cinco anos, reflexo de “uma política de atualização salarial” que “tem como foco principal a preocupação em manter uma equidade salarial de acordo com as práticas de mercado e a diferenciação por mérito dos trabalhadores”.

“Para 2017 será mantido este enfoque”, acrescentou em comunicado enviado à Lusa.

No plenário, realizado esta quinta-feira de manhã nas instalações da OGMA, em Alverca do Ribatejo, com a participação do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, os trabalhadores decidiram “intensificar a luta e trazer a OGMA para a rua, juntando-se com uma forte participação às manifestações do Dia Nacional de Luta da CGTP que se realizam no sábado em Lisboa e no Porto”, disse Alexandre Plácido.

Além disso, o dirigente sindical lamentou que a proposta reivindicativa entregue em março à administração da OGMA e que contempla a atualização salarial, a marcação de férias e a precariedade, entre outros assuntos, “não tenha tido resposta”.

O STEFFAs está também preocupado com a possibilidade de a administração da OGMA querer discutir “a proposta negocial [do sindicato]” no período de férias, altura em que “os trabalhadores estão ausentes e é menor a força reivindicativa”.

Na nota à Lusa, a administração da OGMA realça que “o reconhecimento do contributo dos trabalhadores para os resultados positivos da empresa é uma prática instituída”, com a distribuição de uma parte dos lucros pelos trabalhadores, tendo em conta o cumprimento dos objetivos de desempenho delineados”.

“Desde 2006 já foram distribuídos 14,97 milhões de euros aos trabalhadores, dos quais 1,47 milhões de euros foram pagos em abril deste ano, referentes aos resultados de 2016”, adianta a empresa. O sindicato diz que esta prática “deve ser mais igualitária e abranger todos os trabalhadores”.

A OGMA conta atualmente com 1.763 colaboradores e prevê recrutar cerca de 100 novos colaboradores ainda em 2017.