O Governo do Japão classificou esta sexta-feira de “lamentável” o anúncio do Presidente dos Estados Unidos de retirar o país do Acordo de Paris, sobre alterações climáticas, com o ministro do Ambiente a considerar a medida “contrária à inteligência humana”.

O Japão estava “confiante de que iria trabalhar com os Estados Unidos no âmbito do Acordo de Paris, pelo que o anúncio da administração norte-americana é lamentável”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida, em comunicado.

As alterações climáticas “requerem esforços concertados da comunidade internacional”, sublinhou Kishida, acrescentando que Tóquio “explorará vias para cooperar com os Estados Unidos” e conseguir que este país, o segundo maior emissor global de gases de efeito estufa, “enfrente de forma eficaz o problema”.

Por seu lado, o ministro do Ambiente, Koichi Yamamoto, mostrou-se “dececionado” e “chateado” com o anúncio do Presidente norte-americano, e classificou-o de “contrário à inteligência da humanidade”, em conferência de imprensa.

Donald Trump, que já tinha criticado o Acordo de Paris durante a campanha, afirmou que o pacto, adotado por quase 200 nações no final de 2015 e ratificado por 147, coloca em “permanente desvantagem” a economia e os trabalhadores norte-americanos.

Com esta decisão, os Estados Unidos “cessarão todas as implementações” dos seus compromissos climáticos fixados em Paris, que incluem a meta proposta pelo ex-presidente Barack Obama de reduzir até 2025 as emissões de gases de efeito de estufa entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005.

Concluído em 12 de dezembro de 2015 na capital francesa, o acordo entrou formalmente em vigor em 4 de novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Portugal ratificou o acordo de Paris em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como “arquitetos” centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, com a exceção de Donald Trump.