Hoje em dia um dos poucos fabricantes automóveis a apostar em versões impulsionadas a gás natural comprimido (GNC), a Audi acaba de dar a conhecer a variante g-tron do atraente A5 Sportback. Que, embora marcado pelo estigma de poder vir a ser a versão menos popular de um carro que arrebata corações, teve, ainda assim, direito a apresentação condigna, no famoso festival austríaco Wörthersee GTI. Onde, aliás, se exibiu com pintura a condizer.

Num evento em que a Volkswagen apresentou uma versão fortemente preparada do concept híbrido Golf GTI First Decade, a debitar 410 cv de potência, a marca premium do grupo automóvel alemão optou por desvendar o mais recente elemento da sua família a gás natural comprimido, até aqui composta apenas por versões específicas do A3 Sportback e do A4 Avant. O A5 Sportback g-tron apareceu em Wörthersee em indumentária de festa, exibindo uma pintura exterior especial, de dois tons, com um padrão tipo favo de mel, num azul mais claro, a revestir apenas a parte traseira.

Mais do que isto, só as aplicações em azul mais vivo nas ópticas dianteiras, nas pinças de travão e no lettering “g-tron” disposto nas portas dianteiras e no tejadilho, logo acima do óculo traseiro. Sem esquecer uns farolins traseiros igualmente modificados, visando o garantir de uma imagem mais high-tech, relativamente à ostentada pelas versões standard.

Um 2,0 litros TFSI, a funcionar a gasolina e a gás

Escondido debaixo do capot dianteiro, um bloco 2,0 litros TFSI, que tanto pode funcionar a gasolina como a gás natural comprimido, e que, debitando 170 cv de potência e 270 Nm de binário, surge, no caso deste showcar, acoplado a uma caixa automática S tronic. Embora, nas unidades para comercialização, possa também receber uma mais vulgar caixa manual de seis velocidades.

Quanto ao depósito de GNC, está acomodado na traseira do A5, podendo engolir até 19 kg de gás natural comprimido. Sendo que, para maior segurança, os tanques são construídos de forma particularmente cuidada, com três camadas de revestimento – a interior, em matriz de poliamida impermeável a gás; a intermédia, em polímeros de fibra de carbono e de fibra de vidro, ambos reforçados; e a exterior, em resina epóxi, destinada a aumentar o nível de resistência da fibra de vidro.

Falando de prestações e consumos, e embora esta não seja uma proposta focada na performance, destaque para o facto do A5 g-tron conseguir acelerar dos 0 aos 100 km/h em 8,5 segundos, com a velocidade máxima anunciada a surgir aos 226 km/h. No caso das versões com caixa S tronic, os consumos a GNC não ultrapassam os 3,8 kg por cada 100 km; já quando a gasolina, a média fica-se pelos 5,6 l/100 km. Se consome menos quantidade de combustível (em kg), o GNC oferece ainda a vantagem de ser consideravelmente mais barato, pois se em Portugal custa cerca de 1€ o kg, a gasolina ronda 1.5€ nos postos normais. Mas o grande trunfo dos motores que funcionam a gás natural é a menor emissão de gases poluentes, reduzindo os NOx em cerca de 85%.

Quase 1.000 km de autonomia

Utilizando como referência o NEDC (New European Driving Cycle), o G-tron anuncia uma autonomia a rondar os 500 km, quando a funcionar só a gás, podendo em seguida cumprir mais 450 km, recorrendo para tal ao depósito de gasolina. Isto, com a passagem a fazer-se de forma automática e a partir do momento em que restem apenas 0,6 kg de GNC no tanque.

Além da gasolina e do gás natural, o A5 Sportback g-tron pode também circular utilizando o e-gas que a Audi já produz, a partir de fontes energéticas renováveis, como a água ou o CO2, ou até mesmo a partir de resíduos orgânicos, como é o caso da palha ou dos restos de plantas. Aliás, a marca dos quatro anéis está a disponibilizar, até 31 de Maio de 2018, a todos os clientes que comprem um Audi g-tron, três anos de abastecimento com este e-gas, pelo mesmo preço do gás doméstico.

Infelizmente e apesar desta aliciante, o mais certo é que este Audi A5 Sportback g-tron acabe por não sair do obscurantismo, desde logo, devido a uma rede de abastecimento escassa (para não dizer pior!), na maior parte dos países europeus. Fica, ainda assim, a intenção…