Rádio Observador

Crise dos Refugiados

Extrema-direita reúne 65 mil euros para “combater” os barcos que salvam os refugiados

872

Um grupo de extrema-direita que quer ser a reposta europeia à "alt-right" norte-americana reuniu mais de 50 mil euros para tentar impedir que ajuda chegue aos refugiados naufragados no Mediterrâneo.

Getty Images

Um grupo de ativistas de extrema-direita, que se autoproclamam a filial europeia da alt-right norte-americana, estão a desenhar um plano para impedir ou, pelo menos, dificultar as ações de salvamento de refugiados e imigrantes que acontecem quase diariamente no Mar Mediterrâneo.

Os membros deste movimento anti-Islão e anti-imigração já tinham conseguido interromper uma missão de salvamento em maio passado e conseguiram recolher cerca de 65 mil euros através de uma página anónima criada numa plataforma de crowdfunding — financiamento coletivo através da internet normalmente através de doações de pessoas que concordam com uma causa — , em menos de três semanas para prosseguirem com o objetivo.

A campanha iniciada pelo grupo extremista francês Génération Identitaire, arrancou em maio quando decidiram abrir uma página para “defender a Europa” onde promovem táticas de “guerrilha” semelhantes às que são usadas pela organização ambientalista Greenpeace. “Barcos completamente cheios de imigrantes estão a invadir as fronteiras da Europa. É uma invasão. Esta imigração em massa está a modificar o rosto do nosso continente. Estamos a perder a nossa segurança, a nossa forma de vida e estamos em perigo que de nos tornarmos uma minoria nas nossas próprias terras”, lê-se na declaração de missão do grupo.

O seu objetivo eram os 50 mil euros que seriam utilizados para pagar por “custos de viagens, embarcações e produção cinematográfica”. Em pouco tempo esse objetivo foi ultrapassado mas, segundo o jornal britânico Guardian, o grupo ainda está a aceitar doações. Uma embarcação com o mesmo objetivo, desta vez vinda de França, conseguiu, em maio, travar uma ação de salvamento por parte da SOS Méditerranée até que a Marinha italiana chegasse ao local.

O movimento “Identitário” está presente em vários países da Europa, terá dado os primeiros passos em 2003, em França, e é caracterizado por uma forte presença de pessoas muito jovens nas suas fileiras. A revista Economist analisou o fenómeno e apelida os seus membros de “racistas de calças justinhas”.

Números da ONU mostram que, até maio de 2017, 1.650 imigrantes morreram a tentar chegar à Europa e outros 6.453 foram resgatados. As várias agências de ajuda humanitária envolvidas nestas ações de salvamento recolheram do mar 228 corpos sem vida desde o início de 2017 — metade eram mulheres e crianças.

“Quando o governo britânico e os governos dos restantes países europeus falam de ‘epidemias’ de imigrantes, ou perpetuam a ideia de que as missões de salvamento são um fator que atrai os imigrantes ou que as organizações que prestam ajuda estão a fornecer um ‘serviço de táxi’, é normal que este tipo de extremismo saia fortalecido”, disse um oficial europeu, que pediu que o seu nome não fosse revelado.

Já o investigador do centro anti-racismo Hope Not Hate, Simon Murdoch, que monitoriza o movimento “Identitário”, mostrou-se “pouco chocado” com as ações que o grupo está a planear. “É terrível, mas não me choca vindo de quem vem. Que estes ativistas de extrema-direita estejam a tentar prevenir missões de cariz humanitário, que ajudam algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo, incluindo mulheres e crianças em risco de morrerem afogadas, mostra bem onde se situa a sua compaixão”.

O número de grupos aliados a este movimento na Europa é difícil de precisar, mas a Génération Identitaire já juntou 500 pessoas em alguns dos seus comícios em França e tem perto de 123 mil “gostos” no Facebook. A Identitäre Bewegung Österreich, da Áustria, tem 37,628 e Lauren Southern, uma das jornalistas canadianas com presença mais intensa nos meios de comunicação fortemente conservadores e que esteve envolvida na tentativa de impedir a ação da SOS Méditerranée, tem 280 mil seguidores no Twitter.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)