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Se todos fossem como os portugueses, recursos do planeta acabavam

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Se todas as pessoas no mundo usassem os recursos do planeta como os portugueses, na segunda-feira acabavam, alertou o presidente da associação ambientalista Zero.

MARIO CRUZ/LUSA

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  • Agência Lusa
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Os portugueses desperdiçam recursos naturais e se todas as pessoas no mundo usassem os recursos do planeta como eles, na segunda-feira acabavam, alertou neste domingo o presidente da associação ambientalista Zero, em vésperas do Dia Mundial do Ambiente.

Em declarações telefónicas à agência Lusa, a propósito da sessão “Compreender a utilização que Portugal faz dos recursos naturais da biosfera através da contabilização da Pegada Ecológica”, que decorre hoje em Guimarães e se insere na ‘Green Week’, Francisco Ferreira apontou que os portugueses consomem em excesso os recursos do planeta, em comparação com a média dos habitantes e tendo em conta aquilo que o planeta consegue regenerar.

“Se todos os atuais habitantes do planeta fizessem um uso dos recursos igual àquele que os portugueses estão a fazer, a 05 de junho, precisamente no Dia Mundial do Ambiente, nós esgotaríamos os recursos renováveis do planeta”, alertou o presidente da Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável.

O responsável adiantou que a conclusão é retirada da avaliação que a associação ambientalista fez, em conjunto com a organização Global Footprint Network, à pegada ecológica dos portugueses e que traduz o consumo de recursos por cada um dos habitantes e do país, juntamente com a capacidade do planeta em regenerar esses mesmos recursos.

Na sequência desse dado, Francisco Ferreira apontou que a partir do dia 05 de junho, o planeta estaria a subsistir das suas reservas, com os habitantes a “viver a crédito”.

De acordo com o presidente da Zero, a explicação para este dado tem três motivos, um dos quais relacionado com o tipo de alimentação que os portugueses têm, onde ainda prevalece o consumo de carne e de peixe, o que, do ponto de vista dos recursos, é “significativo”.

“Em comparação com uma alimentação onde vamos buscar o primeiro nível da cadeia alimentar, com menos carne, menos peixe e mais vegetais, isto tem um impacto muito grande nos recursos”, apontou.

Por outro lado, responsabilizou as emissões de dióxido de carbono, sobretudo ao nível da mobilidade, e a dependência em relação aos combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás natural ou o carvão, cujo “impacto é extremamente elevado, por pessoa, principalmente associado ao uso do automóvel, mas também à produção de eletricidade”.

Em terceiro lugar, Francisco Ferreira destacou a economia circular, apontando que Portugal usa “muitos recursos desnecessariamente”, e que os portugueses substituem muito os equipamentos, fazem “demasiadas” compras, desde vestuário aos eletrodomésticos, com muitos destes materiais a terem um fim num aterro.

Defendeu, por isso, que é preciso uma mudança de paradigma e de mentalidade “muito profunda”.

“Devemos substituir o querer mais para darmos lugar a palavras como a qualidade de vida, a suficiência e, acima de tudo, o conseguirmos viver de uma forma sustentável e feliz em harmonia com aquilo que o planeta nos é capaz de dar”, sublinhou Francisco Ferreira.

O presidente da Zero aproveitou ainda para alertar que, a manter-se este nível de consumo dos recursos, a partir de segunda-feira, os portugueses viveriam de “depósitos a prazo”, ou seja, usando recursos que não deveriam ser tocados porque o planeta não tem capacidade de os regenerar.

A pegada ecológica média de cada português, que relaciona o consumo de recursos naturais e a capacidade de resposta da natureza, aumentou 73% entre 1961 e 2013, ocupando Portugal o 9.º lugar entre os países mediterrânicos.

Segundo uma análise divulgada hoje pela Zero, com base em dados da organização Global Footprint Network, se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que Portugal, “seriam necessários 2,3 planetas” para responder ao consumo.

O défice ecológico do país aumentou continuamente até ao início dos anos 2000, registou uma redução a partir desde 2006 e “deve-se tanto a um elevado grau de dependência dos recursos e da biocapacidade do exterior como à utilização excessiva dos recursos locais”, resume a associação liderada por Francisco Ferreira.

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