Era quase uma da manhã quando, numa frase com menos de dez palavras, a Metropolitam Police confirmou o que todos suspeitávamos: os incidentes desta noite em Londres foram um “ataque terrorista”. Mais um, apenas 12 dias depois da morte de 22 pessoas em Manchester, no ataque de um bombista suicida após o final do concerto de Ariana Grande. E na véspera de um novo espetáculo da cantora, desta vez no Emirates Old Trafford Cricket Ground e com outros artistas para angariar fundos para as vítimas e as famílias da noite negra de 22 de maio.

Desde os ataques ao metro e autocarros de Londres em 2005, que vitimaram 56 pessoas e feriram cerca de 700, que não havia um atentado no país tão brutal como o de Manchester. Em vésperas de eleições e numa altura em que o Brexit é uma realidade, o Reino Unido vive há dez semanas o pior período dos últimos anos no que toca a atentados terroristas, sendo que, esta noite, voltámos a assistir a mais um ataque que começou com o atropelamento de pessoas com uma viatura.

O que se passou na Europa desde o ataque de Nice?

Agora, e ao contrário do que se passou em Manchester, somos remetidos para uma realidade que entronca num modus operandi cada vez mais comum nos ataques: em menos de um ano, e depois de Nice, Berlim, Londres e Estocolmo, tudo começou com uma carrinha/camião a atropelar pessoas em ruas conhecidas de cada uma das cidades europeias. O facto de ter sido de novo no Reino Unido, isso sim, e em comparação com o passado recente dos últimos anos, acaba por surpreender: em 2017, este é o terceiro grande incidente registado.

Recuemos então a 14 de julho de 2016: no Dia Nacional de França, um camião furou pela multidão que comemorava a data no Promenade des Anglais, em Nice, um dos locais mais simbólicos da cidade. 84 pessoas de pelo menos 16 nacionalidades perderam a vida, mais de 100 pessoas ficaram feridas, 18 em estado considerado grave. O autor do ataque reivindicado pelo Estado Islâmico, que tinha dupla nacionalidade francesa e tunisina, foi morto no local.

Mais tarde, em dezembro de 2016, um indivíduo de nacionalidade tunisina desviou um camião com semi-reboque que regressava à Polónia desde Itália e fez 12 mortos e mais de 50 feridos no mercado de Natal na Breitscheidplatz, em Berlim. Quatro dias depois, o principal suspeito terá sido abatido perto de Milão. O Estado Islâmico do Iraque e da Síria reivindicou o ataque, algo nunca confirmado pelas autoridades.

Já depois dos ataques em Jerusalém e al-Arish, em janeiro deste ano, ambos com recurso a camiões, um indivíduo ao volante de um veículo atropelou várias pessoas na ponte de Westminster em março, antes de embater no gradeamento circundante do Parlamento britânico. Antes de ser abatido, ainda saiu do carro e esfaqueou um polícia. Seis pessoas morreram, cerca de 40 ficaram feridas. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

No mês seguinte, um camião entrou por uma loja no centro de Estocolmo, numa das zonas mais frequentadas da cidade, tendo feito quatro mortos e 12 feridos. O autor, de nacionalidade uzbeque, foi detido e confessou o crime. Uma semana antes, no metro de São Petersburgo, um ataque bombista fez 15 vítimas.