O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Sigmar Gabriel, deu uma entrevista onde critica fortemente a decisão da Arábia Saudita, do Egito, do Bahrain e dos Emirados Árabes Unidos (aos quais se juntaram posteriormente o Iémen, as Maldivas, as Filipinas e a Líbia) em suspenderem relações diplomáticas com o Qatar. Gabriel acusa também Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de estar a tentar exacerbar as tensões que já existem no Médio Oriente.

Numa entrevista ao jornal de economia alemão Handelsblatt, Gabriel disse que o “tratamento a que o Qatar está a ser sujeito por outras nações árabes é uma ‘trumpezição’ das relações no Golfo porque [o Qatar] vai ficar isolado e foi atingido na sua própria existência enquanto Nação”. Esta “trumpização” é, na opinião do ministro — e vice-Chanceler –, “particularmente perigosa numa região que já está envolvida numa séria crise”.

A crise diplomática dita o encerramento das fronteiras terrestres, marítimas e aéreas dos três países do Golfo e do Egito com o Qatar e deixa o país em larga medida isolado. Os motivos apresentados pelos quatro países prendem-se com “razões de segurança nacional” face “aos perigos do terrorismo e do extremismo” e todos acusam o Qatar de financiar organizações extremistas e de ser próximo do Irão, inimigo declarado dos estados do Golfo.

O que está em causa na crise diplomática com o Qatar? Cinco perguntas e respostas

“Uma escalada no conflito não serve a ninguém. O Médio Oriente é um barril de pólvora político e militar. Há conflitos religiosos, étnicos, políticos e ideológicos que dividem as monarquias do Golfo e um aumento dramático da tensão teria um grande impacto em toda a região”, disse Gabriel.

O ministro fez pontaria também a Donald Trump, que, depois da sua viagem à Arábia Saudita, disse através do Twitter que as autoridades sauditas tinham apontado o Qatar como financiador de ideologias radicais. “O último gigantesco negócio de venda de armas celebrado entre o Presidente dos Estados Unidos e as monarquias do Golfo, aumenta imenso o risco de armazenamento de armas” o que demonstra, disse o ministro, “uma abordagem completamente errada” ao problema e “decididamente não aquela que a Alemanha defende”. Uma “luta profunda” entre vizinhos “é a última coisa que precisamos nesta situação”, disse Sigmar Gabriel que irá encontrar-se em breve com o seu homologo saudita, Adel Al-Jubeir.

A Volkswagen, o Deutsche Bank e a Siemens, são exemplos de empresas alemãs que contam o Qatar entre os seus acionistas.