Montepio

Santana Lopes sobre o Montepio: “Não quero ser banqueiro”

158

Santana Lopes diz que não quer ser banqueiro e não confirma a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio.

Orlando Almeida / Global Imagens

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa disse numa entrevista à SIC que “não quero ser banqueiro nem bancário” apesar do respeito que tem “por ambas as profissões”. As afirmações de Santana Lopes demonstra a cautela com que o ex-primeiro-ministro está a analisar a possibilidade da instituição de solidariedade social tornar-se acionista do banco Montepio Geral.

Tudo porque Santana considera que os riscos da entrada da Santa Casa no capital do Montepio são “consideráveis” e o principal objetivo da organização que dirige é “a ação social”. “Se houver risco considerado intolerável não entra”, avisa o provedor.

São declarações cautelosas que surgem após o jornal Expresso ter noticiado este sábado que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, já se tinha reunido com Santana Lopes e apresentado razões de “interesse nacional” para a entrada da Santa Casa no Montepio. No seu espaço de comentário ao domingo à noite na SIC, Luís Marques Mendes avançou então que esta entrada é “muito provável”. O provedor da Santa Casa não foi tão categórico.

Santana Lopes confirmou que estão a ser feitas diligências com a ajuda de consultores, auditores, analistas financeiros e outros profissionais para perceber como poderá ser feito um possível investimento na caixa económica.

De acordo com o que tem sido noticiado, estará em cima da mesa a aquisição de uma participação de até 10%, ou seja mais de 140 milhões de euros o que poderia absorver 18% do património da Santa Casa.

São números que merecem cautela Santana Lopes, o mesmo acontecendo com a posição atual do banco nas agências de notação financeira — e que levaram o dirigente garantir que a instituição “não entra em aventuras”.

Mais: se não tivesse sido contactada nesse sentido “a Santa Casa não entraria no negócio do Montepio por livre iniciativa”. Contudo, Santana Lopes reconheceu que a Santa Casa “tem disponibilidades financeiras consideráveis” e que ter ativos financeiros parados, tendo em conta as baixas remunerações pagas pela banca pelos depósitos, pode não ser a melhor solução.

O provedor afirmou ainda que a entrada no capital do Montepio se enquadraria num projeto amplo de reestruturação do setor social e que o investimento só faria se nesse projeto “entrassem outras entidades da economia social”, o que que permitiria uma participação “à medida das possibilidades” da Santa Casa.

Santana Lopes aproveitou ainda para criticar a imprensa especializada por avançar “um cenário em que na prática [o negócio] já está fechado ou praticamente fechado”. Uma coisa “é a vontade de muitos responsáveis nacionais” outra coisa “é a avaliação do negócio”.

E desengane-se quem pensa que Santana Lopes precisa de pressão para o ajudar a decidir. “Sob stress não decidimos. Se querem, deem-nos tempo”, disse o provedor. Até porque “o interesse nacional é a Santa Casa não ser prejudicada”, concluiu.

Apesar da cautela, Santana Lopes não quis deixar de recordar um facto histórico: “A Santa Casa já teve participações em instituições financeiras. Já teve, por exemplo, 10% de uma Imoleasing”, referindo-se a uma sociedade de locação financeira imobiliária do Grupo Caixa Geral de Depósitos. Mas avisa: “Só se entrarem muitas entidades da economia social é que a Santa Casa entra” no Montepio.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)