O Kosovo realiza este domingo eleições legislativas antecipadas, num contexto assinalado por crise económica, instabilidade política crónica e o debate sobre as relações com a Sérvia na sequência da independência em 2008, não reconhecida por Belgrado.

As divergências na grande coligação no poder que incluía a Liga Democrática do Kosovo (LDK) e o Partido Democrático do Kosovo (PDK) e os confrontos, por vezes violentos, com a oposição ultranacionalista sobre o diálogo com a Sérvia e as fronteiras com o Montenegro caracterizam a vida política kosovar desde 2015.

Apesar de ainda não ser membro da ONU, o Kosovo, com maioria de população albanesa e cerca de 11.000 quilómetros quadrados (um terço da superfície do Alentejo), já constitui na prática um Estado independente, com soberania reconhecida por 114 países, incluindo os Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia (UE).

No entanto, e para além da Sérvia que ainda reivindica esta ex-província do sul, países como a Rússia e China, com direito de veto na ONU e cinco Estados-membros da UE, incluindo a Espanha, recusaram reconhecer a independência.

As legislativas de hoje foram motivadas por uma moção de censura que derrubou o governo formado pelo LDK e PDK, apresentada por três partidos da oposição que denunciaram a paralisia do executivo e a ausência de soluções para os persistentes problemas sociais e económicos. O LDK acabou por aderir a esta iniciativa da oposição.

As sondagens apontam para a vitória da coligação formada pelo PDK, AAK e Nisma, três partidos com origem na guerrilha separatista que em 1998 e 1998 lutou contra a Sérvia para obter a independência. Esta coligação, já designada “ala bélica”, está creditada com 41% dos votos.

A coligação moderada, encabeçada pela conservadora LDK e outros dois partidos, surge na segunda posição com 30% das preferências.

Na terceira posição, com 19,5%, deverá surgir a ultranacionalista Vetevendosje (Autodeterminação), que se opões a qualquer negociação com a Sérvia e aspira à unificação do Kosovo com a Albânia.

Os analistas consideram que este partido será decisivo para a formação do novo governo.

Um dos principais desafios do futuro executivo, e herdado dos anteriores, será o prosseguimento das difíceis negociações com a Sérvia, mediadas pela UE, e que até ao momento não registaram resultados significativos.

Perto de 1,8 milhões de eleitores estão convocados para um escrutínio em que serão eleitos 120 deputados entre as cinco coligações, 19 partidos e duas iniciativas cívicas.

No hemiciclo estão ainda reservados 20 lugares para as minorias, em particular para os representantes dos sérvios do Kosovo que decidiram permanecer no território após a independência.