Donald Trump terá ligado a Theresa May para a informar de que ia suspender a sua viagem ao Rei Unido. De acordo com o The Guardian, que cita uma fonte de Downing Street, Trump terá dito à primeira-ministra britânica que preferia não fazer a viagem porque temia que houvesse grandes manifestações. A conversa terá acontecido nas últimas semanas e terá deixado Theresa May surpreendida.

Theresa May foi a primeira governante a visitar o novo Presidente norte-americano, em finais de janeiro. Durante a conferência de imprensa conjunta, a primeira-ministra anunciou que tinha convidado Trump e Melania, em nome da rainha, a fazerem uma visita ao Reino Unido. “Estou muito contente que o Presidente tenha aceitado o convite”, anunciou May.

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Entretanto, o gabinete de Theresa May reagiu de forma oficial, dizendo que não ia “comentar especulações” em torno de “conversas privadas ao telefone”. E garantiu que “não há alterações nos planos” para a visita de Trump ao Reino Unido.

Num comunicado oficial, adianta o The Guardian, a Casa Branca fez saber que a notícia avançada pelo jornal britânico era falsa. “O Presidente tem um respeito enorme pela primeira-ministra Theresa May. Esse assunto nunca foi abordado durante o telefonema”.

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A própria data da visita de Donald Trump tem sido motivo de especulação. Em fevereiro, o chefe da polícia de Londres, Bernard Hogan Howe, disse em entrevista à radio LBC que o plano era receber o Presidente norte-americano em junho. Mais tarde, em março, o The Sun, citando fontes do Governo britânico, escrevia que Trump queria muito visitar o país até ao final do ano, mas preferia esperar que a contestação diminuísse. A data avançada era então outubro.

Apesar das garantias dadas pela equipa de Donald Trump, a Casa Branca não adiantou detalhes sobre a data em que se vai realizar a visita oficial do Presidente norte-americano ao Reino Unido.

O convite dirigido pela primeira-ministra britânica não foi visto com bons olhos por alguns diplomatas britânicos, como Peter Ricketts, antigo conselheiro de segurança nacional, que o considerou prematuro mas impossível de rescindir.

A notícia da suspensão da visita de Trump surge num momento delicado para May e para o Reino Unido. Depois dos resultados das eleições de quinta-feira, que levaram à demissão de dois dos seus assessores mais próximos, a primeira-ministra tem agora de procurar alcançar um acordo com os unionistas irlandeses para conseguir a maioria absoluta parlamentar.

As negociações ainda estão a decorrer mas, em entrevista à BBC, o ministro da Defesa Michael Fallon esclareceu que não está em causa um Governo de coligação. “Não estamos num Governo com o PDU, não estamos numa coligação com eles. Vão apoiar-nos nos grandes assuntos económicos e de segurança que este país enfrenta e que são cruciais”, disse Fallon este domingo.

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O líder dos trabalhistas reagiu à notícia da suspensão da visita do Presidente norte-americano ao Reino Unido. No Twitter, Jeremy Corbyn escreveu que “o cancelamento da visita de Estado do Presidente Trump é bem-vinda, principalmente depois do ataque ao presidente da Câmara de Londres e a saída do Acordo de Paris”.

* Artigo atualizado às 20h02 com a resposta do gabinete de Theresa May e da Casa Branca