O ministro da Agricultura aconselhou esta segunda-feira, em Santarém, a sua antecessora, Assunção Cristas, a tomar chá de tília, “que é bom para os nervos”, lamentando que esta o tenha “insultado” ao chamar-lhe “incompetente e ignorante”.

Luís Capoulas Santos, que encerrou esta segunda-feira o seminário “Cooperar para Exportar”, promovido pelas Caixas de Crédito Agrícola e pelo Portugal Fresh, no âmbito da Feira Nacional da Agricultura, que decorre até domingo em Santarém, reagia a declarações feitas domingo, numa visita a este certame, pela presidente do CDS-PP e ex-detentora da pasta da Agricultura no Governo PSD/CDS.

“Quem vê o mundo a fugir debaixo dos pés e tem muita dificuldade em compreender a nova situação política só pode recorrer ao insulto”, afirmou, recomendando a Assunção Cristas que “seja um pouco mais ponderada”, pois tem a “obrigação de cumprir os mínimos em termos de boas maneiras”.

Até sugeri que tomasse chá de tília, que é bom para os nervos, porque aparentemente o que ela tem estado a tomar nos últimos tempos é chá de urtigas, e esse azedume acaba por transparecer de uma forma que não se justifica e não tenciono alimentar polémicas deste tipo”, acrescentou.

Numa visita à Feira Nacional da Agricultura, no domingo, Assunção Cristas acusou Capoulas Santos de ignorância e falta de competência por ter anunciado a criação de uma comissão interministerial que já estava criada desde 2012, querendo “atirar areia para os olhos das pessoas”.

“O que a doutora Assunção Cristas fez foi um insulto, ela chamou-me incompetente e ignorante porque o Governo aprovou há poucos dias uma Resolução do Conselho de Ministros criando uma comissão interministerial para avaliar a situação de seca e decidir sobre eventuais medidas a adotar e ela considera que o Governo ao ter feito isto cometeu uma heresia porque já em 2012 a senhora ministra na altura teria criado uma comissão idêntica”, disse.

Capoulas Santos frisou que essa comissão foi criada “para responder aos problemas de 2012” e “até de forma tardia”, já que, quando foi aprovada a Resolução, em março de 2012, “já o país tinha 47% da sua área em seca severa e tinha 53% em seca extrema”, quando, neste momento, o país “tem 23% da sua área em seca fraca e 71% em seca moderada”.

“Quer dizer que a doutora Cristas, aparentemente, acha que o Governo deveria adotar, numa situação que não tem nada a ver com aquela de 2012, as medidas que ela eventualmente terá adotado, como se houvesse um receituário que se aplica com cinco anos de antecedência”, disse, sublinhando que as medidas devem ser adotadas consoante a evolução de um fenómeno que é “progressivo e que vai tendo diversas consequências”. Por outro lado, afirmou, a Resolução de 2012 “falava de organismos que hoje já não existem e falava de ministérios que hoje já não existem”.

Como exemplo apontou o facto de a comissão ser então presidida por Assunção Cristas enquanto ministra da Agricultura e do Ambiente, “áreas que estão agora separadas”, pelo que “não faria sentido dizer que a coordenação da atual equipa interministerial era presidida pela ministra de um ministério que já deixou de existir”.

Para o ministro, a declaração da líder centrista “é todo um conjunto de absurdos” que o levam a concluir que Cristas “não tem nada para criticar porque de facto a situação da agricultura está melhor”. Capoulas Santos apontou o crescimento das exportações, a resolução dos problemas “que ela deixou” nos setores do leite e dos suínos, a necessidade de tapar os “buracos financeiros”, como os 200 milhões de euros no PDR, a abertura de um “processo negocial para continuar a expandir o regadio de Alqueva que tinha sido dado por concluído há dois anos”.

Declarando-se disponível para “discutir seriamente as políticas e o interesse do país”, o ministro afirmou que “sempre tem existido uma regra de cortesia entre os titulares da pasta da Agricultura”, que permite a crítica sem necessidade de recorrer ao insulto.