O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, classificou hoje como “desumanas” e “contrárias ao islão” as sanções impostas a Doha pelos seus vizinhos do Golfo, acrescentando que terá contactos com os líderes de França e do Qatar.

“A medida para isolar um país em todas as áreas (…) é desumana, contrária aos valores do islão”, disse Erdogan, num discurso transmitido pela televisão.

O Qatar é um país contra o qual “a pena de morte foi de alguma forma aprovada”, afirmou, acrescentando que ainda hoje terá uma conversa telefónica por videoconferência com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o emir do Qatar, xeque Tamim ben Hamad Al-Thani.

Pouco antes, o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, tinha afirmado que Erdogan iria discutir “nos próximos dias” a situação do Qatar com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde 05 de junho que o Golfo está mergulhado numa grave crise diplomática que irrompeu quando a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, países vizinhos do Qatar, mas também o Egito e o Iémen romperam relações diplomáticas com Doha, que acusam de apoiar o terrorismo.

Os três países do Golfo também fecharam as suas fronteiras terrestres e marítimas com o pequeno emirado e impuseram sérias restrições à companhia aérea nacional.

A Turquia mantém ligações estreitas com o Qatar, com o qual tem relações comerciais importantes.

Desde o início da crise que Erdogan se assumiu como o principal defensor de Doha, rejeitando as acusações de apoio ao terrorismo pelo Qatar.

“O Qatar é o país que, com a Turquia, adota a atitude mais firme face ao Daesh (sigla em árabe para o grupo terrorista do Estado Islâmico). Parem com este jogo de demagogos”, disse Erdogan.

Mas, se por um lado defende o Qatar, por outro Erdogan é cauteloso e evita criticar frontalmente a poderosa monarquia saudita, com a qual a Turquia está a tentar aprofundar as suas relações.

“O rei saudita deve resolver esta questão e mostrar a sua liderança”, disse Erdogan.