A avaliar pelo barómetro da Aximage, se as eleições legislativas fossem neste mês de junho, o PSD de Pedro Passos Coelho e o CDS de Assunção Cristas não conseguiriam vingar. Segundo avançam o Jornal de Negócios e Correio da Manhã, a sondagem dá números mais baixos de sempre para estes dois partidos da direita, com o PSD a registar 24,6% das intenções de voto e o CDS a registar apenas 4,6%. Só o PS aparece a crescer, com 43,7% das intenções de voto — muito perto da maioria absoluta.

Juntos, somando as partes, PSD e CDS perfazem agora um total de 29,2% das intenções de voto, menos do que os 38,5% que obtiveram (coligados) nas eleições de 2015. Já os partidos da atual “geringonça” valem hoje, juntos, 61% das intenções de voto, sendo que nas últimas eleições, a soma destas partes perfazia um total aproximado de 50% dos votos.

Se olharmos para o PS de forma isolada, é o partido que mais está a subir: em 2015 teve 32,3% dos votos, e agora, a avaliar pelo estudo da Aximage, vale 43,7%.

Segundo o Jornal de Negócios, este cenário é o pior dos últimos 40 anos para a direita portuguesa, quer para o PSD, cujo pior resultado de sempre foi em 1976, quando obteve apenas 24% dos votos, quer para o CDS, que está muito longe do seu máximo histórico de 16%. A segunda pior prestação do PSD de sempre foi em 2006, no rescaldo do governo de Pedro Santana Lopes, quando José Sócrates conseguiu a maioria absoluta para o PS — nessa altura os sociais-democratas tiveram apenas 29% dos votos.

Numa sondagem baseada em 601 entrevistas efetivas via telefone, BE e PCP não aparecem bem na fotografia, não parecendo estar a capitalizar individualmente a nova solução governativa. Com 9,7% das intenções de voto, o Bloco de Esquerda cai ligeiramente face aos 10,2% que registou nas eleições de 2015. Também o PCP (CDU, neste caso), aparece agora com 7,8%, enquanto nas legislativas obteve 8,3% dos votos.

O último barómetro da Eurosondagem, divulgado pela SIC e Expresso na semana passada, não dá um cenário muito diferente deste, embora menos dramático para a direita portuguesa: PSD estabilizado na marca dos 29%, CDS nos 6,4%, e o PS a crescer para os 40%, com uma distância cada vez mais confortável do seu maior adversário.