Fogo de Pedrógão Grande

A história de Rodrigo, Bianca e as outras vítimas já conhecidas

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O número de mortos está em 62. A maior parte morreu encurralada na estrada nacional 236, dentro dos carros. Rodrigo e Bianca, de 4 anos, são as primeiras vítima conhecidas. Há pelo menos 4 crianças

A maior parte das vítimas morreu carbonizada dentro dos carros, no labirinto da estrada nacional 236

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Isto é uma coisa do outro mundo”. O fogo que desde sábado à tarde está a deflagrar em Pedrógão Grande e arredores já fez 62 vítimas, mas o número continua a aumentar — e entre as vítimas já conhecidas há duas criança de quatro anos. Uma, Rodrigo, seguia no carro com o tio, que também morreu; a outra, Bianca, morreu em Mó Pequena. Segundo o presidente da junta de Facaia, duas outras crianças, de “cerca de 5 e 6 anos”, também morreram com a mãe dentro do carro na nacional 236. Dois casais de cerca de 40, 50 anos, que saíam da praia fluvial das Rocas e ficaram presos na estrada, também estão entre os mortos. De resto, haverá mais idosos que estavam na “hora da sesta” e foram surpreendidos com o fogo nas suas casas.

A contabilização e identificação das vítimas continua. Membros do laboratório de medicina científica da Polícia Judiciária e do Instituto de Medicina Legal estão no terreno a identificar as vítimas, que serão depois recolhidas em câmaras frigoríficas. Segundo o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, “só a equipa de deteção de cadáveres, que contacta a PJ, está autorizada a mexer nas vítimas e a dar autorização para o levantamento dos cadáveres”.

Para já, a contabilização do Governo é esta, e é assustadora: 30 mortos carbonizados dentro dos carros, 17 pessoas mortas fora das viaturas ou nas margens da estrada nacional 236, que liga ao IC8, e 10 pessoas mortas em zonas rurais. Sabe-se ainda que há quem tenha morrido atropelado, quando tudo se precipitou.

Rodrigo, de quatro anos, é uma das primeiras vítimas conhecidas. De acordo com o Correio da Manhã, a criança seguia no carro com o tio em Pedrógão Grande quando foram apanhados pelas chamas. O corpo do tio foi logo encontrado carbonizado dentro da viatura, mas Rodrigo esteve desaparecido até esta manhã de domingo. Acabaria por ser encontrado sem vida junto ao carro do tio.

O Jornal de Notícias dá mais pormenores: Rodrigo e o tio, identificado como Sidel Belchior, de 37 anos, sofreram um acidente de viação, em Nodeirinho, quando tentavam escapar das chamas. Os carros foram atingidos por uma árvore em chamas que caiu. Rodrigo e o tio, assim como o condutor de outro veículo, ainda conseguiram sair das viaturas, mas foram os três apanhados pelas chamas.

Os pais de Rodrigo estavam de lua de mel em Cabo Verde e deixaram a criança à guarda dos tios. Desde sábado que estavam a partilhar apelos desesperados para encontrar o filho.

O Observador apurou entretanto que entre as vítimas está uma outra criança de quatro anos, Bianca, que morreu quando seguia no carro a fugir das chamas acompanhada pela avó e pela mãe, conhecida na vila por Gina, funcionária da escola de Pedrógão Grande. A idosa e a bebé morreram de imediato. Já Gina foi transportada para o hospital com queimaduras graves, apurou o Observador.

O presidente da junta de freguesia de Vila Facaia, José Henriques, dá ainda conta de outras vítimas: uma mãe e duas crianças, de “cerca de 5 ou 6 anos”, que morreram encurraladas pelo fogo na estrada nacional 236. “O pai está na aldeia, destroçado”, disse.

Sabe-se que mais dois casais, entre os 40 e 50 anos, morreram dentro dos carros, na mesma estrada, quando fugiam da praia fluvial das Rocas. “Não conseguiram sair do labirinto, o vento e o fogo de todos os lados da estrada, era impossível”, explica o presidente da junta.

De acordo com o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, o incêndio começou à “hora da sesta” e por isso apanhou muitos idosos a dormir nas suas casas. “Devem ter morrido, com certeza”, afirmou o autarca aos jornalistas.

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