A “ligação umbilical” da artista Fernanda Fragateiro à arquitetura, área pela qual se interessou “desde miúda”, estará exposta a partir de quarta-feira no Museu de Arte, Tecnologia e Arquitetura (MAAT), em Lisboa.

Entre peças da coleção da Fundação EDP e outras, recentes, com a mesma inspiração na arquitetura e urbanismo, a artista falou esta terça-feira, no museu, sobre os conceitos e a forte carga política de algumas delas.

Numa visita para a imprensa realizada à exposição, a artista evocou a questão da ausência da mulher nesta área, “não por falta de atividade mas por apagamento social”.

“Arquitecture, a place for women?” é o título de uma dessas peças, apresentado como um questionamento, uma denúncia artística da ausência das mulheres da produção de espaço, segundo a artista.

Também em “Having Words”, com a mesma data, Fernanda Fragateiro, 55 anos, remete para um acontecimento relacionado com a vida do casal de arquitetos Denise Scott Brown e Robert Venturi.

“Trabalhavam muito juntos. O título da peça vem de um livro com 11 volumes de ensaios da arquiteta e urbanista. Robert Venturi, por seu turno, viria a ser galardoado com o Prémio Pritzker da arquitetura em 1991, e ela decidiu não comparecer na cerimónia da entrega do galardão porque sentiu que o seu trabalho de coautoria não foi também reconhecido”, recordou a artista.

Esta exposição intitula-se “Fernanda Fragateiro: dos arquivos, à matéria, à construção”, com três obras da artista pertencentes à Coleção de Arte Fundação EDP, entre as quais “Architecture, a place for women?”.

Em declarações à agência Lusa, a artista comentou que apesar de a arquitetura a ter sempre fascinado, nunca pensou em seguir a área, caminhando num percurso das artes plásticas, mas sempre com muita inspiração naquela disciplina, leituras e pesquisa.

“Tenho um enorme arquivo de livros e revistas de arquitetura que continuo a adquirir”, indicou, explicando parte do título da exposição.

Desenhos, fotografias, livros, páginas de livros, restos de materiais, ensaios de escala, testes cromáticos, entre outros suportes, estão incluídos nestas obras.

Os seis finalistas

Na quarta-feira também será inaugurada a exposição com as obras dos seis finalistas que concorrem à 12.ª edição do Prémio Novos Artistas Fundação EDP, no valor de 20 mil euros, iniciativa bienal da Fundação EDP.

Na visita à exposição estavam presentes os artistas selecionados Ana Cardoso, Bernardo Correia, João Gabriel, Ana Guedes, Igor Jesus e a argentina Claire de Santa Coloma.

A mostra revela os trabalhos destes artistas ainda inéditos, criados em suportes de pintura e instalação, e que misturam diversos materiais, com projeção, madeira, cerâmica.

De acordo com a organização, foram recebidas 600 candidaturas pelos curadores desta edição: Ana Anacleto, curadora e coordenadora curatorial no MAAT, Filipa Oliveira, diretora artística do Fórum Eugénio de Almeida, e João Silvério, curador de arte contemporânea e responsável pelo projeto EMPTY CUBE.

No decorrer da visita, João Silvério, um dos curadores, afirmou que “foi uma experiência muito enriquecedora acompanhar os processos de trabalho dos artistas finalistas” ao prémio e elogiou o trabalho final.

Um júri internacional selecionará, no decorrer da mostra, o artista vencedor, a quem será atribuído o prémio de 20 mil euros, valor que se destina ao aprofundamento dos seus estudos ou à concretização de um projeto artístico específico.

O Prémio Novos Artistas foi criado em 2000 para apoiar talentos emergentes nas áreas das artes plásticas e visuais.

Nas edições anteriores foram vencedores Joana Vasconcelos, Vasco Araújo, João Maria Gusmão/Pedro Paiva, Carlos Bunga, André Romão, João Leonardo, Leonor Antunes, Gabriel Abrantes, Priscila Fernandes e Mariana Silva.

O MAAT anunciou que a inauguração das duas exposições, prevista inicialmente para esta terça, às 19h00, foi cancelada devido ao luto em memória das vítimas dos incêndios no centro do país.

As duas exposições abrem ao público na quarta-feira, dia 21 de junho.