O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) — responsável pela elaboração dos exames nacionais — está a investigar o caso de alegada fuga de informação no exame nacional de português de 12.º ano, de acordo com o Expresso.

“Na sequência da divulgação de um ficheiro áudio que revela informações sobre a prova de Português 639 da 1ª fase, realizada no passado dia 19, e que alegadamente foi difundido antes da aplicação da prova, o IAVE vem informar que, como habitualmente, vai hoje remeter para a IGEC [Inspeção Geral de Educação e Ciência ] e para o Ministério Público todas as informações de que dispõe sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal”, informou o Instituto esta quarta-feira.

Em causa está uma gravação áudio que esteve a circular nas redes sociais e no Whastapp dias antes da prova que teve lugar segunda-feira. Nesse áudio, ouve-se uma adolescente a revelar conteúdos que coincidem com o que saiu no exame. “Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores — uma comuna — e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo e só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. E pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória…”, ouve-se nesse áudio, divulgado pelo mesmo jornal.

Foi o professor Miguel Bagorro, da Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que teve conhecimento dessa gravação no passado sábado, que acabou por denunciar o sucedido ao Ministério da Educação logo na segunda-feira, após ter confirmado que o conteúdo da prova correspondia ao que a jovem referia nessa mensagem. Não o fez antes pois todos os anos há diz que disse sobre o que sai nos exames.

O Observador já contactou o Ministério de Tiago Brandão Rodrigues para saber que medidas serão tomadas e se o exame será anulado, com marcação de nova prova. Está neste momento a aguardar resposta.

Ao final da tarde desta quarta-feira, o IAVE voltou a emitir um comunicado explicando que “os processo de denúncia ocorrem ocasionalmente, sendo sempre encaminhados para a IGEC (Inspeção Geral de Educação e Ciência) e para o Ministério Público que apuram responsabilidades e determinam as sanções a aplicar, quando tal se justifique”. E dizendo que “o processo está a entrar em fase de averiguação e estará em segredo de justiça, nada mais havendo por ora a declarar”.