A UNITA, maior partido da oposição angolana, denunciou esta quarta-feira a “reiterada vandalização e retirada das bandeiras e cartazes” daquela força política, cuja responsabilidade atribui a “indivíduos afetos ao MPLA”, partido no poder.

Em nota de imprensa, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) refere que estes atos acontecem “na maior parte dos casos na presença de agentes de autoridades competentes, com brigadas que atuam em diversas horas do dia”.

Segundo o documento, “estes atos de desrespeito às leis e à ética, por parte dos militantes do MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola], ocorrem em todo o país e são potenciadores de conflitos violentos entre militantes e de perturbações à ordem pública, com consequências imprevisíveis”.

A segunda força política de Angola sublinha que esta prática tem acontecido somente em relação ao partido fundado por Jonas Savimbi, “o que pode levar a concluir que se trata de uma estratégia de esvaziar o conteúdo eleitoral da UNITA e ofuscar a sua imagem perante o público eleitor”.

“A direção da UNITA apela para a observância escrupulosa da lei, por parte de todos os partidos concorrentes, mormente o MPLA, e dos cidadãos militantes, a pautarem-se pelas práticas condizentes com os fundamentos da democracia participativa”, lê-se na nota.

Outro apelo é feito às autoridades angolanas, nomeadamente governadores provinciais, administradores locais e Polícia Nacional, para que tomem as “devidas providências, com vista a evitar-se um ambiente de pré-campanha turbulento, a bem da paz e da reconciliação nacional”.

Para a UNITA, os angolanos “ávidos de eleições livres, justas e transparentes, têm dado provas de maturidade política e alto sentido patriótico, pelo que todos os atores políticos e sociais envolvidos no processo eleitoral devem pautar-se por esta conduta exemplar de cidadania”.

Esta semana, o ministro do Interior de Angola, Ângelo Veiga Tavares anunciou que está previsto para julho a realização de um encontro com todos os partidos políticos concorrentes às eleições gerais de 23 de agosto, para abordar questões de segurança.

Admitindo a ocorrência de algumas ações ocasionais, o governante apelou ao compromisso e envolvimento de todos os atores nestas eleições, nomeadamente cidadãos e partidos políticos, para um processo eleitoral tranquilo.

“Naturalmente para isso não basta as nossas forças, é preciso que todos os entes envolvidos, nomeadamente o cidadão comum e os partidos políticos tenham o sentido de responsabilidade, é preciso ter bastantes cautelas nos discursos, é preciso colocar o país acima dos interesses dos partidos e mantermos essa paz que foi alcançada com muita dificuldade”, frisou.

Angola vai realizar eleições dentro de dois meses, e conta para o efeito com um número de 9.317.294 eleitores, segundo dados oficiais que o Ministério da Administração do Território entregou à Comissão Nacional Eleitoral.