Os corpos das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande estão a ser lentamente libertados do Instituto de Medicina Legal de Coimbra para que sejam feitos os funerais. Apesar de as autoridades terem informado, esta quinta-feira, que já foram oficialmente identificadas 44 das 64 vítimas, e de a Conservatória do Registo Civil de Coimbra já ter emitido as certidões de óbito (documento necessário para a libertação do cadáver), a verdade é que a grande maioria dos corpos ainda está em Coimbra.

Joaquim Silva, proprietário da agência funerária Santa Madalena, em Vila Facaia (freguesia de onde eram naturais perto de 40 vítimas), disse ao Observador que apenas conseguiu recolher dois corpos de Coimbra esta quinta-feira. Silva acrescentou que, dado o estado de conservação dos cadáveres, os funerais tinham de realizar-se de imediato, o que veio a ocorrer às 19h.

O responsável da funerária informou ainda que já conseguiu garantir a libertação de mais um corpo esta sexta-feira, mas afirmou que “está a ser muito difícil levantar os corpos” devido às dificuldades em identificar as vítimas. “Dizem-me que ainda estão à espera de testes de ADN de muita gente”, explica.

Joaquim Silva sublinha que está a ser contactado por diversas famílias em busca de informações sobre como tratar do funeral, mas que tem poucas respostas para dar. “Tem de ser a PJ a dar ordem para que a conservatória emita a certidão de óbito e só com esse documento é que é possível levantar o corpo”, explica.

Na quarta-feira, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem revelou que o Instituto Nacional de Medicina legal já tinha concluído todas as autópsias aos cadáveres encontrados nas aldeias afetadas pelo incêndio, tendo afirmado, contudo, que vários dos corpos ainda estavam por identificar. A governante confirmou ainda que as autoridades estão a recorrer a testes de ADN para identificar vítimas caso haja famílias a reclamar corpos cujas identidades ainda não tenham sido confirmadas.

Relativamente ao processo de identificação das vítimas, esse está a ser feito pelo Instituto de Medicina Legal em cooperação com a Polícia Judiciária, e o último balanço é desta quarta-feira. Em comunicado, o Instituto de Medicina Legal afirmou que já estavam identificadas 44 das 64 vítimas. “A Conservatória do Registo Civil de Coimbra, em estreita articulação com o INMLCF, emitiu igualmente as correspondentes certidões de óbitos, o que permite a realização dos funerais e subsequentes atos sucessórios”, lia-se no documento.

A maioria dos corpos estão, por enquanto, no Instituto de Medicina Legal, em Coimbra, que não tem capacidade para acolher tantas vítimas. Por isso, muitos dos cadáveres estão conservados num camião frigorífico da Proteção Civil destinado ao transporte de alimentos. A Proteção Civil tem uma viatura para transporte de cadáveres, mas, segundo avançou o Jornal de Notícias, esta avariou e obrigou a ANPC a utilizar esta outra viatura, estacionada estes dias em Coimbra para dar auxílio ao Instituto de Medicina Legal.