O Benfica anunciou esta sexta-feira que não vai comparecer à Final Four da Taça de Portugal de hóquei em patins, onde defrontaria amanhã o FC Porto, criticando duramente a Federação e restantes órgãos. A gota de água acabou por ser o golo invalidado no dérbi com o Sporting a 23 segundos do final, que poderia assegurar a conquista do Campeonato pelos encarnados. Ao invés, a equipa fará um treino aberto no Pavilhão da Luz às 18h30, hora em que deveria defrontar os dragões.

No longo comunicado, os encarnados realçam que a decisão nada tem a ver com os restantes três competidores (Sp. Tomar, Física e FC Porto) mas destacam os “evidentes sinais de dualidade de critérios nos bastidores, decisões erradas em pista e sucessivas nomeações de árbitros difíceis de compreender, jogadores e equipa técnica levaram a definição do campeão até à última jornada, com assinalável resiliência e espírito competitivo”.

Ficou clara a inexistência de imparcialidade em algumas decisões, quer para quem o viu no pavilhão quer para os muitos milhares que acompanharam as incidências da emotiva partida pela televisão. Algo que ficou bem expresso, pela forma como foi anulado de forma inexplicável, a poucos segundos do apito final, o golo que daria o 6-5 e muito provavelmente a conquista do 24.º Campeonato”, defendem as águias, que colocam inclusivamente em causa o estatuto de utilidade pública da Federação Portuguesa de Patinagem.

A anulação de um Campeonato a 23 segundos do final, sem qualquer motivo para tal, é apenas o espelho de uma época em que nunca houve igualdade de circunstâncias”, defende o Benfica em comunicado no site oficial do clube

Recorde-se que, após o final do encontro em Alverca entre Sporting e Benfica, os encarnados deixaram fortes críticas à dupla de arbitragem constituída por Júlio Teixeira e Paulo Rainha, principal alvo das declarações das águias. A BTV dedicou muito tempo da emissão a dissecar vários lances do encontro (agressões, dualidade de critérios, grandes penalidades por marcar e, sobretudo, o golo anulado a João Rodrigues no final).

Todavia, também o Sporting se queixou da arbitragem: numa primeira instância, logo na flash após o encontro pela voz do treinador leonino, Paulo Freitas; mais tarde, num programa da Sporting TV, onde foram também analisados vários lances onde o conjunto verde e branco teria também sido prejudicado, além de outras partidas onde o rival teria sido beneficiado.

O FC Porto, que acabou por sagrar-se campeão com o empate, não deixou de dar uma ‘bicada’, recordando as declarações de Tó Neves, treinador da Oliveirense, após o encontro na Luz da penúltima jornada, onde o antigo internacional se mostrou indignado com a arbitragem nos minutos finais de uma partida de loucos (uma das melhores do Campeonato) que terminaria com a vitória do Benfica por 7-6. Já no ano passado, o ex-jogador, que fez carreira nos dragões mas jogou também nas águias, se tinha mostrado “envergonhado com a modalidade” após a derrota na final da Liga Europeia, na Luz.

Segundo foi explicado ao Observador, a única multa em que o Benfica incorre é pecuniária e poderá rondar os cinco mil euros: o equivalente a cinco salários mínimos pela falta de comparência, cerca de 3.200 euros, mais o valor previsto para a equipa de arbitragem (deslocação, alimentação, etc.). Os encarnados tomariam sempre uma posição de força sobre o caso, mas já estavam cientes de que a única sanção possível é pecuniária.

O Observador confirmou também que o Benfica não apresentou qualquer protesto de jogo, por não ter havido um erro técnico mas sim erros de arbitragem. Fonte do clube explicou que a decisão de boicotar a Final Four da Taça de Portugal não se deve resumir ao golo invalidado a João Rodrigues no jogo com o Sporting mas sim a uma série de decisões e falta de explicações de critérios que se foram sucedendo ao longo da temporada. O mapa de castigos após o dérbi e a nomeação de Joaquim Pinto como um dos árbitros para o encontro que deveria ocorrer amanhã em Gondomar foram dois dos exemplos recentes dados para justificar essas queixas. “O clube toma esta inédita decisão na sua história não apenas por interesse próprio, mas acima de tudo pelo bem da modalidade”, defende o comunicado divulgado pelos encarnados no site oficial.

Curiosamente, uma das primeiras pessoas a reagir foi Ângelo Girão, guarda-redes internacional do Sporting. “A ser verdade o que li e visto que foi um comunicado oficial, é uma autêntica vergonha esta posição do Benfica. Após um ano em que claramente fomos beneficiados contra várias equipas no Campeonato Nacional, quiseram transformar um lance de difícil juízo num esquema de corrupção de todos contra eles. Acima de tudo temos, nós amantes do hóquei em patins, de saber lidar, e eu também não sou o melhor exemplo, com tudo o que rodeia as competições. Até porque se formos contabilizar tudo, o Benfica certamente não sairia prejudicado em nada”, escreveu na sua página do Facebook.

Não ia falar nem comentar nada , das muitas barbaridades que ouvi e li , durante esta semana … Mas acho que a ser…

Posted by Ângelo Girão on Friday, June 23, 2017

Leia o comunicado colocado no site oficial do clube esta sexta-feira:

O Sport Lisboa e Benfica informa que não comparecerá, este sábado, em Gondomar, na Final Four da Taça de Portugal de hóquei em patins.

Esta decisão da direção do Sport Lisboa e Benfica justifica-se pela necessidade e urgência de se tomar uma posição clara que demonstre o estado de degradação que atingiu este ano a cúpula da modalidade e o total desacordo com alguns critérios – ou falta deles – da parte da direção da Federação Portuguesa de Patinagem (FPP) e dos órgãos que a compõem (Conselho de Arbitragem, Conselho de Disciplina e Conselho de Justiça).

Importa realçar que esta decisão nada tem a ver com as outras três equipas que, de forma meritória, conquistaram o direito legítimo de competir, nesta fase final da prova, pela conquista da Taça 2016/17.

Ao longo de toda a época, a equipa de hóquei em patins do Sport Lisboa e Benfica foi sentindo que muito dificilmente poderia jogar em igualdade de circunstâncias com outros competidores no Campeonato Nacional, por circunstâncias alheias à mera e sã competição desportiva.

Perante evidentes sinais de dualidade de critérios nos bastidores, decisões erradas em pista e sucessivas nomeações de árbitros difíceis de compreender, jogadores e equipa técnica levaram a definição do campeão até à última jornada, com assinalável resiliência e espírito competitivo. Mas infelizmente, o pior estava para acontecer.

No decorrer do dérbi de Alverca – intenso, competitivo, uma autêntica final –, ficou clara a inexistência de imparcialidade em algumas decisões, quer para quem o viu no pavilhão quer para os muitos milhares que acompanharam as incidências da emotiva partida pela televisão. Algo que ficou bem expresso, pela forma como foi anulado de forma inexplicável, a poucos segundos do apito final, o golo que daria o 6-5 e muito provavelmente a conquista do 24.º Campeonato para o SLB.

Sobre todos estes temas, o Sport Lisboa e Benfica vai apresentar uma vasta exposição junto das entidades competentes, que deverão analisar, entre outros aspetos relevantes, a viabilidade dos atuais órgãos da FPP e até a “utilidade pública” da mesma federação que, nas mais diversas áreas, continua a anos-luz dos principais clubes que compõem aquele que é considerado o melhor campeonato do mundo.

O SL Benfica procurou, durante toda a temporada, junto das instâncias oficiais, compreender as razões para o estranho critério de nomeação de árbitros, mas não foi possível ouvir explicações e isso diz algo das decisões tomadas. Pediu justiça para os injustificáveis castigos a atletas do clube – até por comparação com outras situações –, mas, mais uma vez, não foi bem sucedido.

No final de tudo isto, parece que os únicos a quem foi “tirado o sono” foi aos atletas, técnicos, dirigentes e adeptos do SL Benfica, como o comprovam declarações públicas de alguns responsáveis de órgãos pertencentes à FPP ou até a nomeação para o jogo da meia-final da Taça.

Nas últimas cinco temporadas, o SL Benfica sagrou-se duas vezes campeão europeu, conquistou muitas provas do calendário nacional com as suas equipas seniores masculina e feminina (que também venceu uma Liga Europeia), colaborou para o desenvolvimento do hóquei em patins jovem, organizou eventos e participou em iniciativas de promoção à modalidade e, em conjunto com os outros clubes, contribuiu para as grandes audiências televisivas do hóquei em patins. Acabou, contudo, por ser ignorado e perseguido durante toda esta temporada. A anulação de um campeonato a 23 segundos do final, sem qualquer motivo para tal, é apenas o espelho de uma época em que nunca houve igualdade de circunstâncias.

O clube toma esta inédita decisão na sua história não apenas por interesse próprio, mas acima de tudo pelo bem da modalidade. É impossível que o profissionalismo, dedicação, empenho e paixão de clubes como o Benfica continue a conviver e estar dependente do amadorismo e “velhos hábitos” que vigoram no hóquei nacional, desde a primeira divisão às divisões inferiores, dos seniores à formação, do masculino ao feminino.

Que fique claro: tudo isto nada tem que ver com o FC Porto e a UD Oliveirense, cujas equipas lutaram arduamente pelo título nacional e que beneficiarão também, em igual medida ao SL Benfica, das evoluções positivas que se verifiquem nas estruturas que organizam as competições em Portugal.

Finalmente, porque todo o grupo de trabalho do hóquei em patins merece um fecho de época na companhia de quem sempre esteve presente nas bancadas, informamos que se realizará um treino à porta aberta, este sábado, no Pavilhão Fidelidade, às 18h30, hora para a qual estava agendada a meia final da Taça, em Gondomar.

Lisboa, 23 de junho de 2017

Sport Lisboa e Benfica