Acidentes de Aviação

Já são conhecidos os motivos da queda do avião em Tires

Um avião caiu em Tires no dia 17 de abril deste ano. Cinco pessoas morreram. Um relatório preliminar divulgado esta sexta-feira revelou as causas que levaram à queda.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O avião que caiu em Tires, Cascais, a 17 de abril, causando cinco mortos. Perdeu o controlo, “entrou em perda e colidiu com a cobertura de uma doca para descarga de camiões de um supermercado”, indica o relatório preliminar.

Segundo o relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a Lusa teve acesso esta sexta-feira, a aeronave perdeu o controlo logo após a descolagem do Aeródromo Municipal de Cascais, seguindo-se uma “descida íngreme”, que culminou com o impacto com a estrutura de descarga de camiões.

Com o impacto, a aeronave explodiu e incendiou-se, infligindo um fogo parcial num camião que se encontrava no local. A aeronave foi destruída pelas forças do impacto e pelo incêndio pós-colisão, tendo os quatro ocupantes falecido. O motorista do camião atingido pela explosão do avião também faleceu”, refere o relatório preliminar ao acidente do Piper PA-31T.

O desastre com o avião, que tinha como destino Marselha, França, ocorreu a 700 metros do final da pista de descolagem. “Não foram encontradas deficiências estruturais preexistentes suscetíveis de terem contribuído para o acidente. Todas as superfícies de controlo de aeronave foram localizadas no local. Os ‘flaps’ estavam recolhidos assim como o trem de aterragem estava recolhido no momento do impacto”, sublinha o GPIAFF no relatório preliminar.

O fogo provocado pelo impacto no solo propagou-se à doca de descarga do supermercado, ao camião e a uma habitação contígua ao local, que foi parcialmente destruída pelas chamas. “A aeronave não estava equipada com um gravador de registo de dados de voo, nem tal era um requisito. A aeronave tinha todas as licenças e certificados de aeronavegabilidade válidas. As ações de manutenção ainda precisam de ser confirmadas”, refere o relatório, acrescentando que a “documentação técnica da aeronave será verificada quanto a discrepâncias”.

O GPIAFF indica que a investigação está em curso e que o relatório final será publicado “logo que possível”. “Diferentes órgãos da aeronave serão analisados mais aprofundadamente para apurar a sua funcionalidade e para que se possa validar todas as evidências recolhidas pela investigação, visto os destroços recolhidos estarem em muito mau estado, devido à violência do impacto e às temperaturas muito elevadas geradas pelo incêndio pós impacto”, frisa o relatório preliminar.

O bimotor, modelo Cheyenne II, da Symbios Orthopedic, empresa especializada em implantes ortopédicos, despenhou-se no parque de descargas de um supermercado LIDL, numa densa área habitacional, com o piloto de nacionalidade francesa com passaporte suíço, e três passageiros de nacionalidade francesa: um casal e uma mulher.

O acidente provocou a morte do piloto, Jean Plé, 69 anos e diretor da Symbios Orthopedic, de Jean-Pierre Franceschi, conhecido cirurgião ortopédico ligado ao mundo do desporto, da sua mulher e de uma amiga de ambos. A quinta vítima mortal é um camionista português, com cerca de 40 anos, que, aquando da queda da aeronave, se encontrava a descarregar produtos no parque de mercadorias do LIDL, na freguesia de São Domingos de Rana (vila de Tires).

Além das vítimas mortais, registaram-se ainda quatro feridos ligeiros, por inalação de fumo, dois assistidos no local e os outros dois transportados para o hospital de Cascais.

Estiveram envolvidos nas operações de socorro 93 operacionais apoiados por 33 viaturas. Organismos da Suíça, França, Estados Unidos da América e Canadá estão a participar na comissão de investigação ao acidente aéreo. O GPIAAF conta também com o contributo dos fabricantes da aeronave, motores e hélices.

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