O ministro das Finanças, Mário Centeno, considerou esta sexta-feira o antigo ministro Miguel Beleza, que morreu na quinta-feira, como um “economista brilhante” e um precursor da economia moderna.

O professor Miguel beleza foi um economista brilhante e precursor da aplicação do que hoje se pode chamar de economia moderna, quer na academia, quer no processo de tomada de decisão política nos cargos que ocupou enquanto ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal”, disse Mário Centeno, em declarações à agência Lusa.

O governante considerou ainda que Miguel Beleza desafiava os seus interlocutores “com inteligência e profundo sentido de humor”, sublinhando o “conhecimento ímpar sobre ciência económica” do ministro das Finanças do XI Governo Constitucional, liderado por Cavaco Silva (PSD).

Todos hoje recordamos com certeza como, com inteligência, o professor Miguel Beleza desafiava os seus interlocutores e, quando o fazia, utilizava simultaneamente um profundo sentido de humor, mas um conhecimento impar da ciência económica e uma inteligência que a todos deixava de certa forma envolvidos pela forma como ele a utilizava”, afirmou.

Centeno disse ainda que a morte de Miguel Beleza é uma perda “difícil de preencher”: “É uma perda que seguramente vamos ter dificuldade em preencher, mas para isso existe a memória que todos guardamos do professor Miguel Beleza e do seu brilhantismo”.

O economista Miguel Beleza, que morreu na quinta-feira, aos 67 anos, desempenhou os cargos de ministro das Finanças no XI Governo Constitucional (1990-1991) e de governador do Banco de Portugal, entre 1992 e 1994.

O seu percurso profissional começou no Banco de Portugal, como técnico assessor e técnico consultor, entre 1979 e 1987, onde integrou o Gabinete de Estudos Económicos, estrutura na altura dirigida por Cavaco Silva.

A seguir foi para o Fundo Monetário Internacional (FMI), ocupando-se das relações de Portugal e Espanha com esta instituição, entre 1984 e 1987.

Miguel Beleza foi também administrador do Banco de Portugal, a convite de Cavaco Silva, na altura primeiro-ministro, entre 1987 e 1990 e, posteriormente, governador, entre 1992 e 1994, sucedendo no cargo a Tavares Moreira.

Como governador do Banco de Portugal, geriu a desvalorização do escudo durante as perturbações cambiais de 1992 a 1993, causadas pela agitação dos mercados financeiros, que se refletiu no Sistema Monetário Europeu.

Foi o primeiro gestor, na instituição, da permanência do escudo no Sistema Monetário Europeu.

Em junho de 1994 demitiu-se do cargo por conflitos com o então ministro das Finanças, Jorge Braga de Macedo, e em 2009 integrou, como membro, o Conselho Consultivo do Banco de Portugal

Nascido em Coimbra, a 28 de abril de 1950, filho de José Júlio Pizarro Beleza e de Maria dos Prazeres Lançarote Couceiro da Costa, Luís Miguel Couceiro Pizarro Beleza era irmão de Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde e presidente da Fundação Champalimaud, e da juíza Teresa Pizarro Beleza e de José Manuel Beleza.