O governador do Banco de Portugal destacou o papel “fundamental” de Miguel Beleza na adesão de Portugal ao euro, “projeto de que se orgulhava, que orgulha o Banco de Portugal e pelo qual afirmou que gostaria de ser reconhecido”. Num comunicado em que manifesta um voto de profundo pesar, Carlos Costa destaca Beleza como um “dos mais notáveis economistas do século XX” e não deixa de lembrar a sua “franqueza e apurado sentido de humor”.

Este comunicado recorda que Miguel Beleza foi ministro das Finanças no primeiro Governo maioritário de Cavaco Silva tendo sido governador do Banco de Portugal entre 1992 e 1994. “Como ministro e como governador, desempenhou um papel fundamental na adesão de Portugal à União Económica e Monetária e, consequentemente na adoção do euro como moeda”. Este processo viria a culminar com a entrada de Portugal no clube de fundadores do euro em 2001, mas Miguel Beleza desenvolveu foi governador “num momento crítico para a economia portuguesa”.

Carlos Costa assinala a gestão da desvalorização do escudo “num contexto de profunda instabilidade macroeconómica”, tendo conduzido os destinos do Banco de Portugal “com gosto contagiante pelas funções que desempenhava e com a ambição de ser um bom governador, como gostava de afirmar”. Para o governador, Miguel Beleza era mais do que um brilhante economista.

“Era reconhecido pela sua clarividência, pela humildade e despojamento, pela franqueza e pelo apurado sentido de humor, qualidades que merecem também o reconhecimento do Banco de Portugal”.

Miguel Beleza estava no conselho consultivo do Banco de Portugal onde iniciou a sua carreira, em 1979, como técnico assessor no gabinete de estudos económicos.