Hermínio Loureiro não é o único arguido da Operação Ajuste Secreto que o Ministério Público (MP) quer ver em prisão preventiva. João Moura e Sá, atualmente empresário na área do ambiente, José Francisco Oliveira, presidente da concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis, funcionário da edilidade da mesma cidade e secretário da distrital de Aveiro do PSD, e o gestor António Reis também conheceram promoções idênticas da parte dos procuradores do Departamento de Investigação e Ação Penal de Aveiro junto do Tribunal de Instrução Criminal de Santa Maria da Feira.

Há ainda um quinto arguido que se arrisca a ficar em prisão preventiva mas o Observador não conseguiu identificá-lo.

A promoção do MP, que representa uma proposta que é feita ao tribunal, está a ser analisada pela juíza Ana Cláudia Nogueira. A magistrada de instrução criminal irá comunicar a sua decisão às 16h30 desta 2.ª feira.

MP pede prisão preventiva para Hermínio Loureiro

Quem é João Sá?

Dos cinco nomes que correm o risco de continuar detidos, e além de Hermínio Loureiro (o nome mais mediático que já foi noticiado pelo Observador na noite de sábado), destaca-se o nome de João Moura de Sá. Suspeito de, entre outros ilícitos criminais que lhe são imputados, diversos alegados crimes de corrupção ativa, Sá foi uma figura política relevante no norte do país, nomeadamente nas estruturas do PSD, na década passada. Economista e ex-quadro do BPI, João Sá foi deputado social-democrata entre 1995 e 2004 (eleito pelo círculo do Porto) e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República na IX Legislatura (entre 2003 e 2004). Trata-se de um órgão de consulta e gestão interna do Parlamento que não deve ser confundido com a liderança formal do Parlamento, a cargo da segunda figura do Estado: o presidente da Assembleia da República.

Moura e Sá deu nas vistas numa das mais importantes concelhias do PSD: a da Trofa. Liderou aquela que chegou a ser a concelhia com mais militantes social-democratas em todo o país e foi uma figura influente no xadrez político sempre complexo da distrital do PSD/Porto. Em 2002, foi eleito tesoureiro na lista de Marco António Costa (atual coordenador permanente da Comissão Política Nacional e porta-voz do PSD), que substituiu Luís Filipe Menezes como líder da distrital PSD/Porto. João Sá fez ainda parte da direção nacional do PSD liderada por Durão Barroso.

Entre outubro de 2004 e setembro de 2005 foi nomeado pelo Governo de Durão Barroso para presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.