Um avião da Ryanair cruzou-se esta segunda-feira com um drone a cerca de 500 metros de altitude, quando já estava na fase final de aproximação para aterrar no Aeroporto de Lisboa, disseram à agência Lusa fontes aeronáuticas. Este é o sétimo incidente do género este mês e o décimo primeiro desde o início do ano.

Segundo as mesmas fontes, o Boeing 737-800, com capacidade para 162 passageiros, proveniente do Aeroporto do Porto, cruzou-se com um drone, pelas 15h00, no momento em que a aeronave sobrevoava a zona entre a Praça de Espanha e Sete Rios, já na fase final da aproximação ao Aeroporto Humberto Delgado, para aterrar na pista 3.

Incidentes com drones dispararam no ano passado. Este ano já houve 11

Contactada pela Lusa, a NAV Portugal (responsável pela gestão do tráfego aéreo) confirmou a ocorrência, acrescentando que irá notificar a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou esta segunda-feira, em Bruxelas, que o Governo aguarda respostas do regulador (ANAC) sobre os repetidos incidentes com drones nas proximidades de aviões, admitindo que “isto não pode continuar”. O regulamento da ANAC proíbe o voo destes aparelhos a mais de 120 metros de altura e nas áreas de aproximação e descolagem de um aeroporto.

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O GPIAAF anunciou há mais de uma semana a realização de um estudo de segurança devido aos vários incidentes envolvendo a presença de drones nas trajetórias de aviões. Na noite de domingo, um avião da TAP Express, operado pela White Airways, com 74 passageiros, cruzou-se com um drone a 900 metros de altitude, na aproximação ao Aeroporto de Lisboa.

Avião cruza-se com drone na aproximação ao Aeroporto de Lisboa, sexto incidente no mês

O piloto do avião modelo ATR, que fazia a ponte aérea Porto–Lisboa, reportou, pelas 20:20, “um drone a 50 metros da asa direita, a 900 metros de altitude”, quando sobrevoava a zona do Pragal, Almada, e pouco antes de passar à vertical da Ponte 25 de Abril, acrescentando que o aparelho “media, no mínimo, um metro”. A 19 de junho, um Boeing da companhia holandesa KLM reportou que um drone “voou ao seu lado” a 1.200 metros de altitude, à vertical do Farol do Bugio, no estuário do Rio Tejo.

Nesse dia, fontes aeronáuticas explicaram à Lusa que o incidente ocorreu quando os pilotos do Boeing 737-800, com capacidade para 162 passageiros, se aperceberam de “um drone a voar ao lado”, no momento em que o avião estava no corredor aéreo para rumar ao Aeroporto de Lisboa, sendo aquela zona igualmente utilizada para os aviões que aterram e descolam do Aeródromo de Cascais.

A 16 de junho, um avião da Aero Vip, do Grupo Seven Air, foi obrigado a realizar uma manobra para evitar a colisão com um drone’ a 300 metros de altitude quando estava em aproximação para aterrar no Aeródromo de Cascais, com 14 pessoas a bordo.

Na aproximação à pista 35 de Cascais, vislumbrei um objeto que julguei ser uma ave. Ao aproximar-me, apercebi-me de que se tratava de um drone de grandes dimensões, de quatro rotores. Tive de mergulhar, aumentar a razão da descida, para evitar a colisão com o drone, que passou a cerca de cinco metros acima da asa esquerda”, relatou nesse dia o piloto à Lusa.

A 14 de junho, um avião da TAP, com cerca de 130 passageiros, cruzou-se com um drone a 700 metros de altitude, quando se preparava para aterrar no Aeroporto de Lisboa. O Airbus 319, proveniente de Milão, Itália, “cruzou-se” com o drone por volta das 21h00, no momento em que a aeronave estava à vertical da Ponte 25 de Abril, na zona de Alcântara, e a poucos minutos de aterrar no Aeroporto Humberto Delgado.

A 1 de junho, um Boeing 737-800, da companhia TVF, France Soleil, grupo Air France/KLM, com cerca de 160 passageiros, teve de realizar várias manobras para evitar a colisão com um drone a 450 metros, quando a aeronave se preparava para aterrar no Aeroporto do Porto.