As vozes da minoria que antecipava o fim da União Europeia e do euro passaram a ser “sussurros que mal se ouvem”, afirmou esta segunda-feira o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, em Sintra, que adverte que os problemas não desapareceram, mas diz que a reforma está a ganhar forma.

Na abertura da conferência do Banco Central Europeu em Sintra, depois de um momento de silêncio e de homenagem às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, Mario Draghi aproveitou para sublinhar o quão diferente é o momento em que os banqueiros centrais se voltam a encontrar em Sintra.

Há um ano, o BCE reunia em Sintra poucos dias depois de o Reino Unido ter ido a votos e os seus eleitores decidido a saída da União Europeia. Nessa altura, diz, o que foi sempre uma minoria, os que antecipavam o fim do euro e da União Europeia, fizeram-se ouvir como nunca o tinham feito antes.

Mas agora, diz Mario Draghi, “a maioria silenciosa ganhou uma nova voz” e as vozes da desgraça não passam agora de sussurros que mal se ouvem.

Isto não quer dizer que os problemas desapareceram. Diz Draghi que, sim, a retoma económica está a ganhar forma, e sim, as perspetivas são melhores do que eram há um ano. Mas agora é preciso consolidar o crescimento económico que se verifica e de uma forma sustentável, menos dependente dos estímulos monetários que, mais cedo ou mais tarde, começarão a ser retirados.

Para isso, Mario Draghi diz que é preciso aproveitar que a economia está a crescer para aumentar de forma estrutural o crescimento das economias, e assim garantir um crescimento económico mais duradouro.

É mesmo essa o tema da conferência deste ano, dedicado ao crescimento económico e ao investimento nas economias avançadas. A conferência decorrerá novamente em Sintra até quarta-feira, com vários painéis dedicados ao investimento e à inovação, um tema diferente dos restantes anos, mais centrado no futuro e menos no legado da crise económica e financeira.