A história repete-se ano após ano. Depois de meses de trabalho, as famílias portuguesas rumam finalmente ao seu destino de Verão, em busca do mais que merecido descanso, diversão, ou ambos. Para a maioria, essa viagem em direcção ao idílico destino – tradicionalmente, a praia – realiza-se de automóvel, que nestas alturas não só tem de carregar com a família inteira, como com os mais diferentes pertences de cada um. E todos sabemos que, quanto toca a ir de férias, o céu é o limite, pelo menos no que respeita ao volume de bagagem.

Mas quase tão importante quanto a quantidade de carga transportada é a forma como esta vai acondicionada. Isto porque objectos soltos na bagageira transformam-se em verdadeiros projécteis em caso de acidente, podendo facilmente ceifar a vida de qualquer um dos ocupantes. Basta pensar que, em caso de desaceleração violenta, um brinquedo, mala ou chapéu-de-sol pode atingir uma força 50 vezes superior ao seu peso.

O automóvel clube alemão, ADAC, tenta chamar a atenção, em vídeo, para uma realidade que os condutores – e as pessoas, em geral – tendem a esquecer: é forçoso ter muita atenção em relação à forma como acondicionamos os objectos dentro do carro, especialmente nos veículos como as carrinhas ou os SUV, em que a mala não está fisicamente separada do habitáculo.

O filme da ADAC contempla duas situações distintas. Na primeira, surge o condutor sem cinto de segurança e o passageiro com, mas com os pés em cima do tablier. Lá atrás, a bagagem criteriosamente empilhada, visando o total aproveitamento do espaço, mas sem qualquer sistema de retenção que a impeça de invadir o habitáculo. No total são quatro malas, uma geleira e um sem-número de acessórios, entre mesa, duas cadeiras, chapéu-de-sol, raquetes e um jogo de petanca, cujas esferas de 700g são perfeitamente assassinas durante um acidente violento, se estiveram mal acondicionadas. Como seria previsível, é o fim dos dois adultos, que se não sucumbissem aos ferimentos provocados pelo embate no volante, para o condutor, e no tablier e tejadilho para, o passageiro, eram vítimas das bagagens, atiradas contra ambos a uma velocidade incrível. E isto numa simulação de acidente a somente 50 km/h.

Após este reality check, a ADAC propõe-nos um segundo crash test à mesma velocidade, mas agora com os dois ocupantes convenientemente sentados e protegidos pelo cinto de segurança, com a bagageira bem acondicionada lá atrás, estando os objectos mais pesados presos por uma cinta. É claro que se o veículo em causa fosse mais recente e estivesse equipado com a rede de separação do habitáculo, que muitos modelos oferecem, seja de série ou como opcional, nada disto seria necessário.

Como um bom vídeo vale mais do que mil palavras, veja com atenção este filme: