Caso BES

PGR confirma detenção de ex-representante do BES na Venezuela

Antigo diretor do BES Madeira, que representou os interesses do banco liderado por Ricardo Salgado na Venezuela, ficou em prisão domiciliária depois de ser ouvido por um juiz de Instrução Criminal.

Miguel A. Lopes/LUSA

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a prisão domiciliária de João Alexandre Silva, antigo diretor do BES Madeira e ex-representante do Banco Espírito Santo na Venezuela. A notícia foi avançada pela TVI 24 ao início da tarde desta quinta-feira, uma semana depois de terem realizado buscas novas em residências, bancos e empresas em Lisboa e na Madeira.

“O arguido foi apresentado pelo Ministério Público ao juiz de Instrução Criminal, o qual decidiu pela aplicação das medidas de coação de obrigação de permanência na habitação e a proibição de contactos, designadamente com outros arguidos no processo”, refere a PGR em comunicado. João Alexandre Silva “foi indiciado por factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção de agentes públicos internacionais, branqueamento, e corrupção ativa e passiva no setor privado”.

Em causa, segundo a TVI 24, estarão as cartas de conforto assinadas por Ricardo Salgado e por José Manuel Espírito Santo nas últimas semanas de vida do Banco Espírito Santo em que o banco garantia ao investidor Petróleos da Venezuela o reembolso da aplicação feita em títulos de empresas do Grupo Espírito Santo que estavam já em proteção judicial. As cartas tinham e valor de 260 milhões de euros.

O Ministério Público pretende apurar se houve intenção de prejudicar o BES e também se foi montado um esquema financeiro que facilitasse práticas de branqueamento de capitais à Petróleos da Venezuela, então um dos maiores clientes do banco.

A Petróleos da Venezuela é referida, embora não expressamente identificada, na auditoria ao apagão no sistema fiscal de registos de transferências para offshores, como tendo sido uma das entidades não residentes que ordenou a saída de valores mais avultados para paraísos fiscais que não foram controlados pela Autoridade Tributária. As transferência foram feitas via BES para o Panamá, e algumas aconteceram no ano do colapso do banco liderado por Ricardo Salgado.

Atualizado às 19h15 com o comunicado emitido pela Procuradoria-Geral da República

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