As tropas iraquianas conseguiram tomar esta quinta-feira a mesquita de Al-Nuri. A data é simbólica — tal como o local. É que foi há precisamente três anos, em junho de 2014, que Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, proclamava (na sua primeira e uma das raras aparições em público) na mesquita de Al-Nuri, em Mossul, a criação de um califado. A bandeira negra do grupo extremista permaneceria hasteada no minarete Al-Hadba daquela mesquita do século XII até à semana passada — altura em que o Estado Islâmico (ou outra qualquer força, já que existem muitas dúvidas) destruiu quase na totalidade a mesquita.

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Agora, e ao fim de oito meses de combates entre o exército iraquiano (apoiado pelos Estados Unidos e uma coligação internacional) e o Estado Islâmico pela tomada de uma cidade que se tornou o bastião do grupo extremista, a batalha de Mossul está perto do final. Em declarações à Reuters, na terça-feira, o major-general Jabbar al-Darrajitold, do exército iraquiano, assegurava que cerca de metade da área da cidade velha tinha sido recuperada ao Estado Islâmico. E acrescentou: “Do ponto de vista militar, o Estado Islâmico está acabado. Mossul deverá cair nos próximos dias. O estado fictício deles caiu”.

A destruição da mesquita de Al-Nuri pode ou não ser uma “declaração formal de derrota” (as palavras são de Haider al-Abadi, o primeiro-ministro iraquiano) por parte do Estado Islâmico. O grupo terrorista nega e garante que foi a aviação norte-americana quem bombardeou Al-Nuri — algo que Washington logo trataria de desmentir. Certo é que a batalha de Mossul continuará nos próximos dias (ou semanas?) e muitos civis podem ainda perder a vida nos combates: cerca de 50 mil habitantes de Mossul estão a ser utilizados como escudo-humano por parte dos quase 350 militantes do Estado Islâmico que continuam a ocupar a terceira mais cidade do Iraque.