O presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Joaquim Leitão, enviou esta quarta-feira uma carta ao secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, a denunciar que a secretaria-geral da Administração Interna — que gere o SIRESP — demorou cerca de quatro horas a informar que a antena de Pedrógão Grande tinha caído. De acordo com o documento, divulgado pelo Expresso, a ANPC foi informada que as estações de Serra da Lousã, Malhadas e Pampilhosa da Serra caíram às 21h12, mas só informou sobre a queda da estação de Pedrógão Grande às 23h21. É mais uma contradição, desta vez com o relatório de Francisco Gomes, secretário-geral adjunto da Administração Interna.

Joaquim Leitão questiona ainda o porquê de ser só às 23h21, quando a queda da antena foi quase quatro horas antes: “Sendo a secretaria-geral da Administração Interna a gestora da rede SIRESP, a questão que se coloca é o motivo para a não comunicação atempada à ANPC desse facto e o porquê de, nessa altura (19h38) não terem sido acionadas as estações móveis para a região afetada.”

Apesar de não saber da queda da estação de Pedrógão, explica Joaquim Leitão na carta, “a ANPC ao ter conhecimento às 20h55… que se verificavam falhas nas comunicações SIRESP na zona de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, encetou, de imediato, contactos com o senhor Secretário Geral adjunto, Francisco Gomes no sentido de serem mobilizadas as estações móveis para as zonas afetadas, tendo o pedido formal sido enviado às 21h29.” Ou seja: não só a ANPC foi informada quatro horas depois, como, mesmo não tendo sido informada da queda de Pedrógão, pediu logo as estações móveis.

A ANPC alega ainda que não tem a “possibilidade de monitorização da rede SIRESP, competência atribuída à secretaria-geral da Administração Interna” e que, por isso, desconhecia “as falhas de comunicação nesta rede nos teatros de operações”, não podendo “por si só, hipotecar as estações móveis que estão adstritas a outras entidades”.

A ANPC contraria assim o relatório da secretaria-geral da Administração Interna que tinha acusado a Proteção Civil de ter pedido tardiamente (21h29) as estações móveis no terreno. De acordo com esse documento, a Proteção Civil “deveria também em simultâneo ter solicitado preventivamente a mobilização da estação móvel em tempo útil.” Ora, Joaquim Leitão diz que ainda o fez duas horas antes de saber.

Mais ataques à secretaria-geral

Também esta quinta-feira, a TVI noticiou que o secretário-geral-adjunto do Ministério da Administração Interna, Francisco Gomes, terá “faltado à verdade” quando afirmou que a secretaria-heral não estava informada de que uma das estações móveis do SIRESP, Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança em Portugal se encontrava na oficina.

De acordo com a TVI foi a própria secretaria-geral do MAI a autorizar a entrada da viatura na oficina e terá sido isso mesmo que terá levado a ministra da Administração Interna a pedir uma auditoria da Inspeção-Geral da Administração Interna. A estação televisiva diz ainda que a 31 de maio, por e-mail, a secretaria-geral confirma e agradece à PSP o envio da viatura para revisão e inspeção. A carrinha terá sido entregue a 7 de junho nas oficinas UNIVEX. A empresa enviou depois, a 12 de junho, o orçamento da reparação para a própria secretaria-geral (o que a TVI confirmou com a própria oficina).