O presidente do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento da Guiné-Bissau lamentou esta sexta-feira a suspensão das atividades da agência Lusa, RTP e RDP no país, considerando ser uma forma de silenciar a população guineense.

“As organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau lamentam profundamente esta triste notícia para nós”, afirmou Jorge Gomes à agência Lusa, referindo que se o movimento tivesse conhecimento antecipadamente teria tomado a decisão de abordar o primeiro-ministro no sentido de “arranjar uma outra solução”.

Para Jorge Gomes, a decisão “é uma forma de silenciar a população guineense que tem tido contacto com os conterrâneos em Portugal diariamente”.

Infelizmente, quando tivemos conhecimento da notícia, não conseguimos falar com o senhor primeiro-ministro e dizem que o prazo termina hoje à meia-noite [mais uma hora em Lisboa]”, referiu o responsável.

O ministro da Comunicação Social guineense anunciou esta sexta-feira a suspensão das atividades da RTP, da RDP e da agência Lusa na Guiné-Bissau, alegando a caducidade do acordo de cooperação no setor da comunicação social assinado entre Lisboa e Bissau.

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Questionado sobre se esta decisão atenta contra a liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, o responsável respondeu: “Precisamente, é o que se está a constatar”.

É a forma de silenciar os guineenses, mas vamos tentar falar com o sr. primeiro ministro na segunda-feira a ver se a situação se resolve de uma outra forma”, reafirmou.

A Guiné-Bissau tem vivido uma situação de crise institucional desde as últimas eleições, com um afastamento entre o partido vencedor das legislativas e o Presidente da República, também eleito.

O atual governo não tem o apoio do partido que ganhou as eleições com maioria absoluta e este impasse político tem levado vários países, entre os quais Portugal, e instituições internacionais a apelarem a um consenso.