A administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) garantiu esta sexta-feira que o bloco de partos do Hospital de Aveiro está a funcionar, contrariando uma informação avançada esta manhã pela Ordem dos Enfermeiros e fontes sindicais.

Numa nota enviada aos jornalistas, o conselho de administração do CHBV esclarece que “todos os serviços do Departamento da Mulher e da Criança estão, até este momento, a funcionar normalmente”.

A administração do CHBV adianta que todos os profissionais integrados nas escalas apresentaram-se ao serviço, pelo que a atividade naquele departamento, tanto no internamento como no bloco de partos, está assegurada.

Caso se venha a verificar qualquer situação de excecionalidade, a direção do serviço e o conselho de administração, tomarão as medidas que se tornem necessárias e adequadas à garantia de segurança das nossas utentes”, refere a mesma nota.

Esta segunda-feira de manhã, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, disse que os blocos de partos dos hospitais de Aveiro e Guimarães estavam encerrados devido ao protesto dos enfermeiros especialistas contra a falta de pagamento desta especialidade.

A informação foi confirmada à Lusa por Paula Estrela, da Federação Nacional do Sindicato dos Enfermeiros (FENSE), que disse que só havia um enfermeiro especialista a “assegurar a patologia, o bloco de partos e a urgência”, um número que não permitia assegurar a realização de partos.

Mais tarde, em declarações aos jornalistas à porta do Hospital de Aveiro, o presidente da secção regional do centro da Ordem dos Enfermeiros, Ricardo Matos, afirmou que o bloco de partos estava aberto.

Neste momento, não tem nenhuma grávida internada. Temos somente uma grávida no serviço de internamento que está a ser vigiada pelo único enfermeiro especialista presente em todo o departamento”, disse o responsável.

Ricardo Matos advertiu, no entanto, que a situação poderá agravar-se na terça-feira, porque não há nenhum enfermeiro especialista escalado.

Espero que durante o dia de hoje o Ministério da Saúde tenha uma solução para esta problemática”, disse o dirigente.

É triste para nós estar a chegar a este extremo“, disse à Lusa, Sara Esteves, uma enfermeira do hospital de Aveiro que há cerca de três anos começou a exercer cuidados especializados, apesar de estar apenas contratada para exercer cuidados generalizados.

Faço partos, vigilâncias da gravidez e do pós-parto imediato, aulas de preparação para o parto, aulas de recuperação pós-parto e não sou remunerada como tal. Estamos todos com o coração apertadinho, porque somos todas parteiras de coração, mas corremos muitos riscos para não estar a ser reconhecidos como tal”, disse Sara Esteves.

Os enfermeiros especialistas recusam-se, a partir desta segunda-feira, a prestar cuidados diferenciados, como protesto contra o não pagamento desta especialização, devendo os blocos de parto ser a área mais visível desta contestação.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, que apoia os profissionais neste protesto, existem cerca de 2.000 enfermeiros que, apesar de serem especialistas, recebem como se prestassem serviços de enfermagem comum.

Para dar voz a esta reivindicação, foi criado o movimento EESMO (Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia), o qual organizou quarta-feira uma vigília frente à residência do primeiro-ministro.