O conceito é, no mínimo, tentador: um automóvel que produz mais energia do que aquela que consome. A nível experimental, o Solar Team Eindhoven, um grupo de estudantes de engenharia da Universidade Técnica de Eindhoven, na Holanda, já provou que era possível, através dos protótipos Stella e Stella Lux, que participaram em várias competições destinadas a este tipo de projecto.

Cinco desses estudantes decidiram agora ir (bastante) mais longe, criando a Lightyear, uma nova startup destinada a desenvolver, produzir e comercializar uma versão desse modelo destinada a circular na via pública. Mesmo sabendo que, para tal, o veículo verá significativamente aumentado o seu peso por via da integração dos inúmeros elementos de segurança e conforto, só para citar os mais relevantes, que terá de possuir para, primeiro, poder ser homologado, e, depois, vingar no mercado.

Não se sabe, para já, como resolveu a Lightyear o problema de um automóvel de dimensões convencionais não possuir uma área extensa o suficiente para, com a tecnologia de células fotovoltaicas actualmente disponível, gerar a potência necessária para fazer mover de forma convincente um veículo cujo peso dificilmente não superará a tonelada – mesmo que com uma aerodinâmica muito apurada, e construído em materiais leves como a fibra de carbono ou o alumínio. Mas a empresa garante ter criado o “automóvel eléctrico que se carrega a si próprio, com energia solar limpa”. Mais: “Em condições de sol, pode circular durante meses sem ser recarregado, uma capacidade verdadeira única. A bateria armazena energia para que seja possível circular à noite.”

Ao que parece, o modelo pretende ser capaz de gerar energia suficiente para percorrer entre 10.000 e 20.000 km anuais, dependendo da região do globo em que se encontre, logo, do clima e horas de sol de que possa usufruir. E a confiança da Lightyear no projecto é tal que a startup até já está a aceitar reservas para as 10 unidades a produzir em 2019, através de um depósito reembolsável de 19.000€ euros, ou seja, 10% do preço estimado do veículo. Se tudo correr como esperado, no ano seguinte serão produzidos mais 100 exemplares.

Uma curiosidade: o nome da empresa tem por inspiração o número de quilómetros que compõem um ano-luz (9,5 biliões), os mesmos que, anualmente, serão percorridos no planeta por veículos animados por motores térmicos. E que a Lightyear pretende que possam ser percorridos, a partir de 2035, por veículos alimentados por energia solar.